Se este Benfica-Manchester United fosse um daqueles ‘feel-good movies’ de domingo à tarde, Mile Svilar, jogador que esta quarta-feira passou a ser o guarda-redes mais jovem de sempre a atuar na Liga dos Campeões, teria sido o herói da partida. Não há como não gostar da história do ‘miúdo’ inexperiente, algo trapalhão, que se transcende face às adversidades para, no final, derrotar os maus da fita (neste contexto, os homens de José Mourinho).

Mas não. A realidade é cruel e o encontro no Estádio da Luz terminou antes com um inconsolável Svilar, de braços abertos, a pedir desculpas aos adeptos pelo erro cometido meia hora antes, que acabou por ‘manchar’ uma exibição até àquele momento bastante segura, e ditar a terceira derrota em outros tantos jogos para o Benfica na Champions. As imagens do jovem belga a ser confortado pelos companheiros de equipa, Rui Vitória, e até mesmo pelos adversários – com destaque para o compatriota Romelu Lukaku - acabam por ser o momento mais impactante de um jogo que voltou a ter uma formaçã ‘encarnada’ muito aquém. O adeus à prova milionária poderá ser a fatura a pagar.

Caras novas, os mesmos processos

Se Sérgio Conceição já havia surpreendido ao apostar em José Sá para o lugar de Casillas, Rui Vitória não fez por menos e lançou, de rajada, três estreantes – Svilar na baliza, Rúben Dias no eixo da defesa e Diogo Gonçalves para o lado esquerdo do ataque – colocando ainda três homens no meio-campo. Douglas, também ele em noite inaugural na Champions, fazia a vez do castigado André Almeida.

A estratégia resultou durante algum tempo. O meio-campo mais preenchido – um 4x3x3 sem Jonas - retirou espaço ao Manchester United para a construção. Rúben Dias (boa exibição do jovem central) ia conseguindo conter o poderio de Lukaku, mas continuava a faltar rasgo no ataque das ‘águias’. Mérito, também, de Nemanja Matic – de regresso à Luz tal como Lindelof e Mourinho – que soube controlar as movimentações no miolo juntamente com Ander Herrera. Aliás, dois médios chegaram perfeitamente para os três homens do Benfica.

Tudo isto fez com que nenhuma das equipas arriscasse muito. Do lado do Benfica, esperava-se uma oportunidade para sair rápido para o ataque – aos 15’, Grimaldo fintou vários adversários e entregou a bola a Salvio, que, na área, não conseguiu fazer melhor do que rematar ao lado da baliza de De Gea. Do outro lado, Matic obrigou Svilar a aplicar-se aos 36’, altura de maior sufoco para os ‘encarnados’, que já só queriam levar o nulo para o intervalo.

O erro fatal de Svilar

O segundo tempo trouxe um Benfica no mesmo estado de apatia com que havia recolhido aos balneários, só que agora com menos posse de bola e mais passes falhados. Tornava-se cada vez mais difícil conter o ímpeto de jogadores como Mkhitaryan ou Marcus Rashford. O avançado, de 19 anos, já havia tentado por duas vezes o canto direto, mas foi num livre, aparentemente controlado, que chegou ao único golo do encontro.

O remate (64’) saiu direto à baliza, Svilar, que estava ligeiramente adiantado, calculou mal a trajetória da bola, e em vez de a socar ou sacudir por cima da trave, optou por recuar para segurá-la, acabando por entrar ela dentro da baliza. O erro, próprio da inexperiência de alguém que ainda há pouco tempo havia atingido a maioridade, acabou por ser fatal. O Benfica nunca mais se encontrou, nem com a entrada de Jonas para o lugar de Diogo Gonçalves, e Luisão mostrou que até os mais experientes podem perder o controlo – expulsão completamente desnecessária aos 90+2’, por acumulação de amarelos.

O resultado final, pela margem mínima, mostrava que a equipa de Rui Vitória não havia concedido oportunidades por aí além ao seu adversário, o que é um facto. E o erro de Svilar, mesmo sabendo que o jovem dificilmente conseguirá dormir esta noite, acaba por ser um mal menor nesta equipa, que continua inofensiva a atacar – apenas o remate de Rúben Dias por cima, aos 84 minutos, num lance de bola parada, foi digno de registo no segundo tempo.

Numa altura em que metade dos jogos da fase de grupos já foram disputados, os ‘encarnados’ continuam sem qualquer ponto, e o adeus à Europa começa a ganhar contornos cada vez mais reais. Rui Vitória faz bem em não ‘atirar a toalha ao chão’ mas começa a perder a razão quando diz que os resultados não espelham, de todo, o que o Benfica tem feito em campo. Terá mais três oportunidades para provar o contrário.

O momento

Golo do Manchester United: O livre cobrado por Rashford marca um jogo mas também uma carreira. Mile Svilar pagou caro a sua falta de experiência mas certamente voltará mais seguro no próximo desafio dos 'encarnados'. A avaliar pelas palavras (elogiosas) de Rui Vitória, será já no próximo domingo, na visita ao Desportivo das Aves.

A figura

Matic: Figura omnipresente em quase todos os 90 minutos, o médio sérvio não só defende com a máxima frieza e segurança, como também é figura ativa no processo de construção dos 'red devils'. Os pouquíssimos golos sofridos até ao momento pela equipa de Mourinho - um na Champions, dois em oito jornadas de Premier League - também se devem a ele.

Têm a palavra os treinadores:

Rui Vitória, treinador do Benfica

"Foi um jogo muito disputado, em que um pormenor fez a diferença. Perdemos o jogo mas ganhámos outras coisas que me agradaram muito. As coisas estão mais difíceis, mas ainda temos três jogos para disputar. Vamos lutar ate à exaustão. Não vamos entrar em nenhum jogo sem ser a lutar. No final, faremos as contas para saber em que competição vamos estar."

José Mourinho, treinador do Manchester United

"Fomos mais experientes do que os jovens do Benfica. Tivemos o jogo sempre controlado. Nunca senti que poderia perder. É muito complicado aguentar uma equipa inglesa. O Rui Vitória tentou abafar a nossa construção e conseguiu, até certo ponto, mas essa intensidade diminuiu e nós controlámos o jogo na segunda parte. É uma vitória que não é brilhante, mas segura."

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