A quarta derrota em apenas nove jogos na Europa frente a equipas de segunda linha não abona a favor deste FC Porto, uma equipa intermitente, de altos e baixos. A derrota por 2-1 frente ao Bayer Leverkusen, na 1.ª mão dos 16 avos de final da Liga Europa, deixa tudo aberto para a segunda-mão na próxima quinta-feira no Dragão. A produção ofensiva preocupa e será preciso uma dinâmica diferente para passar por estes 'farmacêuticos'.

Outro dado: mais uma derrota na Alemanha, onde o FC Porto perdeu 11 dos 19 jogos disputados em solo germânico.

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O jogo: reação na 2.ª parte dá esperanças

Os 12 golos marcados nos nove jogos realizados até agora na Europa fazem deste FC Porto o pior a nível ofensivo nos últimos seis anos. Além da pobreza ofensiva, os 'dragões' de Conceição tem cometido muitos erros frente a emblemas que nem são do topo europeu. Ao todo, são 14 golos sofridos nos nove encontros já realizados, naquela que é a segunda pior defesa do FC Porto na UEFA (em nove jogos).

Ainda só estamos nos 16 avos de final da Liga Europa mas é impossível não 'ouvir' os números: há quatro anos que o FC Porto não sofria quatro derrotas na Europa, de acordo com dados do 'Playmaker' do 'Zerozero'. O máximo numa temporada são sete derrotas em 16 partidas, em 2001/02.

As dificuldades em jogar fora de portas tinha ficado evidenciado nos jogos da fase de grupos, onde o FC Porto só venceu em casa do Young Boys da Suíça, num jogo muito sofrido. As derrotas frente ao Feyenoord na Holanda e Rangers na Escócia já tinham deixado alguns sinais de que algo não está bem na defensiva portista este ano.

Estas fragilidades foram explorados pelo Bayer Leverkusen na noite desta quinta-feira, embora os 'dragões' tenham melhorado muito neste sector. Conceição montou uma equipa para travar a intensidade alemã, com linhas baixas e sem deixar espaço nas costas da defesa para serem explorados pelos avançados alemães. A equipa obrigava o Rangers a bascular, a procurar as alas onde raramente havia superioridade numérica.

Apesar disso, havia sempre 'buracos'. Havertz apareceu entre Manafá e um dos centrais a finalizar à barra, após centro da direita. Lucas Alario teve mais pontaria aos 29 e marcou, a centro de Lars Bender na esquerda. Quando os laterais ou extremos tinham espaços, conseguiam desequilibrar.

A incapacidade de ter bola, ligar sectores e subir no terreno era visível no primeiro tempo, com o Bayer Leverkusen a ter mais de 70 por cento de posse de bola. As correcções que Conceição fez ao intervalo melhoraram a equipa, precisamente na definição sobre em que zona pressionar, algo que não estava a acontecer no primeiro tempo.

A equipa cresceu mas sofreu um duro golpe quando Manafá resolveu fazer um penalti infantil aos 57 minutos. Mas o golo de Luis Diaz aos 71 lançou o FC Porto para a frente. Conceição sabia que podia 'ferir' os alemães se conseguisse pressionar melhor, por isso lançou Danilo para uma linha de cinco no meio, com Nakajima para ter bola e levar a equipa para a frente em progressão. Os alemães recuaram e souberam defender o resultado.

Ficou a ideia que falou sempre algo mais à equipa para fazer frente ao 5.º colocado da Bundesliga.

Esta quarta derrota fora de portas na Europa dá esperanças para o jogo da segunda-mão. Mas a equipa terá de ter outra atitude para levar de vencida estes alemães que podem ser fortes ofensivamente mas a defender tem as suas lacunas que, bem exploradas, podem colocar o FC Porto nos oitavos-de-final da Liga Europa.

Momento-chave: Manafá 'mata' reação do Dragão com penalti infantil

O FC Porto tinha voltado do intervalo com outra disposição, estava a ter mais bole e a empurrar o Bayer Leverkusen para o seu meio-campo. Até que uma bola nas costas de Manafá foi divida pelo lateral e Voland. Manafá podia ter cortado mas foi batido, podia ter parado a jogada com uma falta fora da área mas decidiu deixar o alemão seguir e só o agarrou quando este entrou em zona proibida. Penalti que Havertz converteu (à segunda, após defesa de Marchesín no primeiro remate, porque o árbitro viu uma movimentação irregular do guarda-redes). Fica tudo mais difícil na Europa com erros tão infantis.

Os Melhores: Mbemba de pedra e cal, Havertz é um 'maestro'

Havertz fez o 2-0, de grande penalidade mas 'pintou a manta' no relvado, com pormenores de classe. É um jogador que progride bem com a bola, tem visão de jogo, sabe assistir e também finalizar, sempre em alta rotação. Tecnicamente muito evoluído. Um craque.
Mbemba foi dos melhores do FC Porto, a par de Marchesin. O central já fez esquecer Pepe e tem sido um dos melhores no último reduto dos 'dragões', quer na marcação, quer a dobrar os colegas, quer na leitura que faz das jogadas.

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Os Piores: 1.ª parte pobre do Dragão e Manafá a 'meter água'

Manafá somou um conjunto de erros a defender e a atacar. Perdeu a bola, de forma infantil, na frente, decidiu quase sempre mal foi batido nalgumas situações defensivas em que estava mal posicionado. O primeiro golo nasce do seu lado. Para piorar, fez uma falta infantil sobre Voland que deu o 2-0 aos alemães. Conceição já deve estar arrependido da decisão de o lançar no onze

O FC Porto voltou a fazer uma primeira parte pobre. Os 'dragões' sentiram dificuldades em ter bola e só criaram um lance de perigo no primeiro tempo, um remate de longe de Uribe. Muito pouco.

Reações: Penalti repetido que Marchesin tinha defendido não convenceu o FC Porto

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