O grupo de direitos humanos iraniano 'Open Stadium' pediu à FIFA que expulse o Irão do Mundial2022, que arranca já em novembro do Qatar, devido ao tratamento que é dado às mulheres naquele país.

Numa carta enviada ao presidente da FIFA, Gianni Infantino na quinta-feira, a organização recorda que o Irão continua a recusar a entrada de mulheres nos estádios, apesar das pressões da FIFA e de outros órgãos.

"A Federação Iraniana não é só cúmplice dos crimes do regime [de Teerão], é ela mesma uma ameaça direta à segurança das adeptas de futebol no Irão e em qualquer outra parte do Mundo onde joga a Seleção iraniana. O futebol devia ser um lugar seguro para todos", pode-se ler na carta.

Na missiva, o grupo de direitos das mulheres no Irão questiona o porquê de a FIFA dar palco aos dirigentes de futebol e políticos iranianos quando os mesmos se recusam a respeitar os direitos humanos e a dignidade dos iranianos, além de torturar e matar o seu próprio.

"Pedimos à FIFA, baseado no artigo 3 e 4 do seu estatuto, que expulse imediatamente o Irão do Mundial2022", termina a carta enviada à Infantino.

O Irão, treinado pelo português Carlos Queiroz, fará  no Qatar a sua sexta participação em Mundiais de futebol. Na fase de grupos terá como adversários a Inglaterra, o País de Gales e os Estados Unidos da América.

De acordo com números desta sexta-feira divulgadas pela organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights, com sede em Oslo, pelo menos 83 pessoas já morreram no Irão durante os protestos que começaram há duas semanas contra a morte de uma jovem detida pela polícia.

O balanço anterior da ONG, divulgado na quinta-feira, apontava para 76 mortos nos protestos no país.

Mahsa Amini, de 22 anos e originária do Curdistão (noroeste), foi detida pela polícia da moralidade em 13 de setembro em Teerão, por "vestir roupas inadequadas".

Aquela unidade é responsável por fazer cumprir o rígido código de vestuário no Irão, onde as mulheres devem cobrir os seus cabelos e não é permitido usar roupas curtas ou apertadas, entre outras proibições. A jovem morreu em 16 de setembro no hospital, data em que começaram os protestos no país.

O movimento de protesto espalhou-se por várias cidades do país, onde manifestantes gritaram frases antigovernamentais, segundo os meios de comunicação locais.

De acordo com informações obtidas pela ONG, houve mortes em 16 províncias, entre as quais Mazandaran (26), Gilan (11), Azerbaijão Ocidental (11), Kermanshah (6), Curdistão (6), em Alborz (5) e Teerão (4).

A Iran Human Rights referiu que "milhares" de manifestantes e ativistas civis foram detidos e denunciou que portais na internet ligados ao governo iraniano compartilharam vídeos com confissões falsas obtidas sob ameaça e tortura.

O acesso à Internet foi severamente comprometido ou completamente cortado na última semana e várias plataformas digitais estrangeiras, como Instagram, WhatsApp ou Signal, deixaram de funcionar, segundo a ONG.

"Usar munição real contra manifestantes é um crime internacional e a comunidade internacional tem o dever de prevenir e impedir esses crimes", disse Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da Iran Human Rights, num comunicado.

Amiry-Moghaddam pediu um "firme" apoio aos manifestantes e a ativação de mecanismos da ONU responsabilizar o regime iraniano.

Fundada em 2005 e registada na Noruega desde 2009, a Iran Human Rights afirma ser integrada por pessoas dentro e fora do Irão e tem membros nos Estados Unidos, Canadá, Japão e vários países europeus.

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