Quem o revelou foi o próprio Costinha, em declarações à Agência Lusa: “Ponderei o convite, pois trabalhar com um treinador tão especial como José Mourinho está ao alcance de poucos. A força com que ele me incentivava levou a que pensasse nisso. No entanto, no meu íntimo, sempre senti que tinha mais perfil para a função que ocupo hoje”.

Este interesse pela área do dirigismo esteve latente em Costinha ao longo da carreira, não fosse ele alguém atento e perspicaz à realidade que o rodeia, mas despertou nos últimos anos, quando foi confrontado com a face menos visível e cruel do futebol.

“O facto de ter ido para Itália e de ter jogado pouco pesou nesta minha decisão”, reconheceu Costinha, para quem a vivência que tem no futebol, sobretudo nos últimos três anos, o “alertou para realidades que lhe despertaram o gosto e o desafio pelo dirigismo”.

Depois da experiência no Atlético de Madrid, de onde saiu no verão de 2007, esteve mais de dois anos em Itália, ao serviço do Atalanta, mas fez apenas o jogo de estreia, frente ao Parma, no qual foi utilizado durante 56 minutos.

Foram tempos duros para Costinha, duas épocas [2007/08 e 2008/09] em que os treinadores [primeiro Luigi Del Neri e depois Ângelo Gregucci] lhe diziam ter ordens da direcção para não o pôr a jogar, pelo que não lhe restava alternativa senão treinar sem “ver uma luz ao fundo do túnel”.

“O que aprendi fora de campo, sem poder jogar, mostrou-me que posso ser bastante útil”, disse Costinha, que vê agora ao serviço do Sporting a oportunidade para “pôr em prática ideias e concepções” no sentido de tornar o futebol “cada vez mais colectivo, honesto e de maior espectáculo”.

Todavia, a sua personalidade e carisma fizeram com que muitos dos que com ele trabalharam lhe “augurassem futuro como treinador”.

Um deles foi José Mourinho: “Foi das pessoas que mais me encorajou para seguir a carreira de treinador, que mais falou sobre o assunto com pessoas que nos são próximas e que todos os dias, particularmente quando estive em Itália, me incentivava a tirar o curso”.

A coincidência de estarem ambos a trabalhar em Itália na mesma altura permitiu que privassem e que trocassem ideias sobre futebol: “Eu questionava-o sobre diversas áreas do treino, desde a metodologia à vertente comportamental. Ele dizia-me sempre que de treino e de futebol eu percebia, que só me faltava saber como aplicar os conceitos, o que, em seu entender, me seria fácil, devido à minha inteligência”.

Durante essa troca de ideias, Costinha chegou mesmo a confrontar o “Special One” com as dúvidas que o assaltavam sobre se “teria a mesma abordagem” que ele teve, sobretudo “em face de situações específicas mais delicadas”.

“Ele sossegava-me e dizia sempre que eu iria ultrapassar isso quando me deparasse com as situações concretas”, recordou o actual director do futebol “leonino”, para quem, no entanto, o apelo para uma carreira de dirigente que chegou de Alvalade acabou por prevalecer sobre os incentivos e os conselhos de Mourinho para abraçar a carreira de treinador.

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