Na semana passada rebentou uma bomba no futebol inglês, quando o 'Telegraph' avançou que Liverpool e Manchester United tinham desenvolvido um projeto que pretende reduzir a Premier League de 20 para 18 equipas, alterar o formato de eliminatórias da Taça da Liga e acabar com a Supertaça.

Dois dos maiores clubes de Inglaterra querem assim aplicar uma autêntica reforma no futebol inglês, mas a notícia não caiu bem em todos os intervenientes.

O 'Project Big Picture'

O projeto foi construído pela Fenway Sports Group, empresa que administra o Liverpool, e tem o apoio de Rick Parry, antigo CEO dos 'reds' e atual presidente da EFL (Liga Inglesa de Futebol). O Manchester United também esteve envolvido na proposta que, ainda de acordo com o 'Telegraph', tem o apoio de Arsenal, Chelsea, Manchester City e Tottenham.

United e Liverpool querem reduzir Premier League e acabar com a Taça da Liga inglesa
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A ideia desta proposta era que, estas medidas iriam, na opinião dos dois colossos do futebol inglês, permitir à Premier League angariar 250 milhões de libras, com os quais beneficiariam os 72 clubes que estão entre o segundo e o quarto escalão inglês.

Para tal, a Premier League passaria a contar apenas com 18 equipas, em vez das atuais 20. O objetivo passava por implementar este novo formato já em 2022, com quatro clubes a serem relegados da Premier League na época anterior e apenas dois emblemas do Championship subirem diretamente. O 16.º classificado do escalão principal disputaria um 'play-off' com as equipas que ficassem no terceiro, quarto e quinto posto da segunda divisão para decidir a derradeira vaga na Premier League.

Os referidos 250 milhões de libras ajudariam a Liga Inglesa de Futebol a recuperar do impacto causado pela pandemia de coronavírus, enquanto 100 milhões de euros estavam destinados à Federação Inglesa de Futebol (FA) e à criação de uma liga feminina independente.

Os grandes clubes ingleses queriam também colmatar a grande diferença financeira para os clubes das outras divisões. Para tal, 25% do lucro dos emblemas da Premier League seria destinado às equipas dos outros escalões. No entanto, isto acabaria com o sistema de cotas existente para os clubes despromovidos.

A polémica

Um dos problemas da proposta seria o poder que seria dado aos grandes clubes ingleses em detrimento dos outros. Ou seja, nove clubes mais antigos da Premier League - os big six (Liverpool, Manchester United, Arsenal, Chelsea, Manchester City e Tottenham) e Everton, Southampton e West Ham - passariam a ter um maior poder de decisão.

Até aqui, cada clube tem um voto nas questões mais importantes relacionadas com o futebol inglês, sendo que 14 votos a favor são suficiente para aprovar uma medida. O 'Big Picture' proponha que o voto favorável destes nove emblemas fosse o suficiente para dar o aval a futuras decisões.

As ameaças

Greg Clarke, presidente da Federação Inglesa de Futebol, admitiu que os big six ameaçaram desistir da Premier League, caso o projeto não avançasse, numa carta ao Conselho da Federação Inglesa de Futebol.

"O principal objetivo das discussões passou a ser a concentração de poder e riqueza nas mãos de alguns clubes, chegando a ser lançada a ameaça da criação de outra liga. Aconselhei a que existisse uma abordagem mais consensual e que envolvesse todos os clubes da Premier", referiu o dirigente, que chegou a participar em reuniões onde o projeto foi discutido, tendo abandonado o processo na primavera.

Já numa carta dirigida aos clubes, Greg Clarke salientou que só a Federação Inglesa de Futebol tem poder para tomar decisões de tamanha importância.

"É responsabilidade da Federação decidir sobre as competições em Inglaterra - incluindo qualquer nova competição proposta - e também é responsabilidade conceder as licenças, através da UEFA, para disputar provas europeias. Continuemos a trabalhar juntos para determinar o que é o melhor para o futebol inglês com diálogo entre todos os protagonista. Há mais do que economia no nosso futebol. As mudanças devem beneficiar os clubes, os adeptos e os jogadores, não se trata apenas de uma questão económica", dando a entender que poderia vetar a participação de Liverpool e Manchester United nas competições europeias.

As reações

Esta proposta motivou uma reunião de emergência entre a Premier League e a Federação Inglesa de Futebol que, em conjunto, emitiram um comunicado a reagir ao projeto.

"Todos os 20 clubes da Premier League concordaram hoje por unanimidade que o ‘Project Big Picture’ não será aprovado pela Premier League ou pela FA. Os acionistas da Premier League concordaram em trabalhar juntos como um coletivo de 20 clubes num plano estratégico para as estruturas futuras e financiamento do futebol inglês, consultando todas as partes interessadas para garantir uma pirâmide de futebol vibrante, competitiva e sustentável", pode ler-se na nota.

Foi ainda decidido que seria criado um fundo com 50 milhões de libras para a League One e League Two. Já o apoio ao Championship vai continuar a ser negociado com a Liga Inglesa de Futebol.

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