O processo de identificação dos suspeitos de insultos racistas ao jogador do FC Porto, Moussa Marega, durante o encontro com o Vitória de Guimarães, da 21.ª jornada da I Liga, está em fase de conclusão, tendo já sido identificados mais de 20 indivíduos, mas nos próximos dias mais pessoas poderão vir a integrar esta lista de suspeitos.

De acordo com fonte oficial da Direção Nacional da PSP, citada esta segunda-feira pelo Jornal Económico, "o processo de identificação está a ser concluído. Todas as informações vão ser entregues ao Ministério Público de Guimarães".

A PSP não avança o número exato de adeptos suspeitos de insultos e cânticos racistas já identificados, que ultrapassará já as duas dezenas, explicando apenas que "tem recorrido a uma panóplia de instrumentos legais disponíveis como o sistema de vídeo vigilância  do estádio [D. Afonso Henriques] e testemunhos de pessoas que estiveram presentes".

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Para este processo, foi criada na PSP uma equipa especial, a qual tem sido ajudada para o efeito pelo Ponto Nacional de Informações sobre Desporto (PNID), órgão responsável pela gestão de informações relativas a fenómenos de violência associada ao desporto.

De acordo com o avançado pela mesma fonte ao Jornal Económico, o levantamento de suspeitos estará concluído "em breve". Os dados serão, de seguida enviados para o Ministério Público, que abriu já um processo-crime referente a esta matéria, e para a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), onde decorre igualmente um processo de contraordenação.

Este tipo de comportamentos racistas e xenófobos configuram, recorde-se, um crime previsto e punido no Código Penal, com uma pena de prisão de seis meses a cinco anos, ou com uma coima entre os mil e os dez mil euros.

Presidente do Vitória diz que clube vimaranense não pode ser "bode expiatório"

Miguel Pinto Lisboa, presidente do Vitória de Guimarães, considerou domingo que "seria injusto" castigar o conjunto vimaranense, que, recorde-se, arrisca uma suspensão entre um a três jogos à porta fechada.

"Seria injusto para o clube, porque não se revê nesses atos. O Vitória pautou-se sempre pela igualdade. Temos exemplos de grandes capitães que eram de cor e temos uma história de quase 100 anos em que tivemos vários atletas de cor. Não é uma coisa que seja imposta, é intrínseca ao clube. Não há só este caso em Portugal, há 15, e nós não podemos pactuar com virgens ofendidas. O racismo não vai acabar por penalizarmos o Vitória. Não podemos ser o bode expiatório", lembrou.

"Temo que haja consequências negativas, porque, conforme já dissemos, estas situações não aconteceram só em Guimarães. Já aconteceram noutras latitudes. O que deu relevância foi o facto de o atleta visado ter demonstrado vontade de sair do terreno do jogo. É um tema que é transversal não só ao desporto, mas também a toda a sociedade. Obviamente estamos expostos. Desde o início que estivemos disponíveis para colaborar com todas as autoridades na identificação de quem possa ter praticado o ato. A incidência deve estar mais sobre quem praticou os atos de racismo e não sobre a coletividade, que não se revê neles", frisou o dirigente.

Adeptos do FC Porto assinalaram 'minuto Marega'

Ao minuto 11 do FC Porto-Portimonense, no Dragão, ergueu-se uma faixa de apoio a Marega nas bancadas e ouviu-se uma ovação em homenagem ao avançado maliano, que foi alvo de insultos racistas oito dias antes, na deslocação dos 'azuis e brancos' a Guimarães.

O camisola 11 do FC Porto respondeu com palmas.

A 16 de fevereiro, recorde-se, Marega foi substituído ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o FC Porto e o Vitória de Guimarães, depois de ter sido alvo de cânticos e gritos racistas por parte de adeptos da equipa minhota.

Vários jogadores do FC Porto e do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo, numa altura em que os 'dragões' venciam por 2-1, resultado com que terminou o encontro.

O caso ganhou contornos internacionais e foi notícia lá fora, sendo noticiado em várias televisões mas também em jornais online.

Em Portugal, vários clubes mostraram a sua solidariedade para com Moussa Marega, entre eles o Rio Ave, o Sporting, o SC Braga.

O caso extravasou o futebol e foi comentado por vários quadrantes políticos, quase todos a reprovarem os insultos racistas contra o maliano.

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