O líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes ‘Mustafá’, garantiu hoje em tribunal que passou o dia da invasão à academia em casa e que o seu nome foi usado abusivamente nos grupos onde foi combinado o ataque.

“Usarem o meu nome nos grupos de whatsapp [nos quais foi combinado o ataque] foi um abuso de poder”, disse Mustafá, ouvido hoje na 34.ª sessão do julgamento da invasão à academia do Sporting, em 15 de maio de 2018.

Mustafá, detido preventivamente desde maio de 2019 por alegado tráfico de estupefacientes, não estava nos grupos onde foi combinado o ataque e não respondeu a mensagens em outros grupos de que fazia parte desde a derrota (2-1) do Sporting no terreno do Marítimo, que ditou o afastamento da equipa do segundo lugar da I Liga e da Liga dos Campeões, dois dias antes do ataque.

O arguido garantiu ter passado o dia do ataque em casa, com o telefone desligado, e ter sabido do ataque pela televisão, depois de ter sido alertado pela mulher.

“No dia 15 acordei com a canja da Cristina, voltei a dormir, nem sai de casa”, disse, acrescentando que mais tarde foi a mulher que o acordou para “ver na televisão o que se estava a passar na academia”.

Mustafá, que foi à Madeira, mas acabou por ver o jogo com o Marítimo na televisão “num café”, disse ter regressado a Lisboa na segunda-feira de manhã, e ido para casa.

“Vim da Madeira na segunda-feira, apaguei, e 24 horas depois tenho o mundo todo em cima de mim”, referiu, admitindo que os desacatos no aeroporto do Funchal entre jogadores e adeptos lhe “passaram ao lado”.

O líder da Juve Leo desde 2011, que disse ser “a única pessoa em Portugal presa por 14 gramas [de droga] e sem investigação”, considerou que “nada do que se passou é normal” e chegou mesmo a desabafar: “Não estive na academia [no dia da invasão], antes tivesse estado”.

O arguido disse ter sido ele a marcar a reunião de 07 de abril, na casinha, a sede da Juve Leo, para falar sobre problemas que se tinham passado no jogo com o Atlético de Madrid (derrota do Sporting por 2-0), explicando que, entretanto, recebeu um telefonema a dizer “que o presidente queria ir à reunião”.

Segundo Mustafá, “o presidente queria falar sobre o ‘post’”, no qual criticou a prestação da equipa no jogo de Madrid, disputado em 05 de abril, da primeira mão dos quartos de final da Liga Europa.

“Ainda hoje não sei qual foi o ‘post’ do Bruno de Carvalho, estava a borrifar-me para os ‘posts’ do presidente”, disse, acrescentando: “Aquilo depois descambou, nem sei como é que ele naquela noite não levou uma ‘pingas’ ali, não levou porque eu não deixei”.

Mustafá, que disse ser “o mais injustiçado do processo”, desmentiu o futebolista William Carvalho, que afirmou em tribunal ter recebido um telefonema seu a dizer que o presidente Bruno de Carvalho lhe tinha pedido para “partir os carros dos jogadores”.

No final da sessão, o advogado de Mustafá, Rocha Quintal, apresentou, pela terceira vez, um pedido de alteração da medida de coação do arguido, para uma medida não privativa da liberdade.

O julgamento da invasão à academia prossegue na sexta-feira com Eduardo Nicodemes e Ricardo Neves, de manhã, e Bruno de Carvalho, antigo presidente do clube, à tarde.

O processo da invasão à Academia tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados de autoria moral de todos os crimes e o líder da Juve Leo responde ainda por tráfico de droga.

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