O responsável pelo pelouro das finanças nos mandatos do anterior presidente dos ‘leões’ classificou essa decisão como “o grande investimento” da direção que integrou, no final da época 2015/16, quando o Sporting terminou no segundo lugar da I Liga, a apenas dois pontos do Benfica, num campeonato discutido até à última jornada.

 “Isso, se calhar, foi o pior que fizemos. Porque fomos pressionados, nem foi pelo investimento que fizemos. Foi por os ter mantido quando queriam ter ido para outro sítio”, assumiu Carlos Vieira durante a quarta sessão das jornadas ‘Sporting Com Rumo’, no Tagus Park, em Oeiras.

 O antigo dirigente referiu que, “bem ou mal”, os jogadores “queriam ir” e o Sporting não tem “as condições financeiras para pagar os salários que se fazem noutros sítios” e, à ‘boleia’ da mesma afirmação, criticou a tardia profissionalização da gestão do futebol do clube de Alvalade, recordando, novamente, a ida de Eusébio para o Benfica.

 “Perdemos jogadores para outros clubes. Perdemos o Eusébio. Perdemos o Futre… O Eusébio não foi raptado, foi por arrogância nossa, que achamos que nada é mais valioso do que o clube, o que para mim não é”, atirou Carlos Vieira.

 Num debate subordinado ao tema da sustentabilidade financeira, o antigo vice-presidente do Sporting acusou ainda o Benfica de ‘roer a corda’ em 2015, ao celebrar um acordo para a venda dos direitos televisivos, quando em 2013/14 “estava tudo acordado” entre os três principais clubes do país “para a centralização dos direitos”.

 “O Benfica fez um ‘bypass’ e assinou um contrato fantástico. O FC Porto fez um contrato menos fantástico e nós fizemos um contrato brutal, porque, de facto, investimos forte e feio na contratação de um treinador [Jorge Jesus], quando fizemos o contrato estávamos em primeiro lugar e acreditávamos, eu também acreditei, que ganhávamos aquele campeonato”, acusou.

 Ainda sobre a questão dos direitos televisivos, Carlos Vieira acusou os ‘encarnados’ de fazer “marketing financeiro”.

 “O Benfica vende a exclusividade dos direitos televisivos à NOS, mas mantém um acordo em que continua a faturar pela BTV quando aquilo é para entregar. Portanto, empolam receitas que são imediatamente entregues à NOS”, atirou o antigo dirigente.

Sobre a profissionalização da gestão do clube, e confrontado por alguns elementos do painel (composto hoje por Agostinho Abade, Sérgio Cintra, Ricardo da Silva Oliveira, Miguel Frasquilho e Eduardo Baptista Corria) sobre o facto de alguns gestores de sucesso dos rivais serem assumidos sportinguistas, Vieira foi perentório a recusar um cenário semelhante.

 “Se me convidassem, nunca aceitaria ser dirigente do Benfica. Portanto, não acredito que alguém que esteja lá seja sportinguista. Isso não existe”, criticou.

 Já sobre os modelos de governação dos clubes nacionais, referiu que “muita gente vota em presidentes porque é o mais parecido com Pinto da Costa”, numa afirmação que recolheu a concordância de vários elementos do painel, e apontou a ‘mira’ à falta de militância dos adeptos ‘verde e brancos’, recordando, para isso, a inauguração do Núcleo do Sporting na Assembleia da República (AR).

 “Bruno de Carvalho tem exatamente o mesmo discurso que Luís Filipe Vieira teve com o Núcleo do Benfica na AR. [Diz] Que vocês têm de ser o motor e defender intransigentemente a bandeira. Os [elementos da AR] do Benfica batem palmas, os do Sporting dizem que ‘não gostei nada do seu discurso, o Sporting não é isto’”, criticou.

 Nesse sentido, acusou “os poderes governativos” de não quererem imiscuir-se em decisões chave do futebol português, como a centralização dos diretos televisivos, ao contrário do que aconteceu em Espanha e Itália, “porque estão condicionados pela sua própria emoção”.

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