O presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), Joaquim Evangelista, condenou hoje "veementemente" a agressão ao árbitro José Rodrigues por um jogador do Canelas na partida com o Rio Tinto, do Campeonato de Elite Pro-Nacional.

Em declarações à margem da assinatura de um protocolo para a formação financeira no futebol com o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, o líder do SJPF considerou o incidente deste domingo "lamentável" e pediu sanções "exemplares" para o jogador Marco Gonçalves, que, entretanto, já foi dispensado pelo Canelas e constituído arguido pelo Ministério Público.

"Não me revejo nessas práticas, acho lamentável. É importante que o fenómeno desportivo e a família do futebol comece a dar exemplos. Há muita crispação no futebol", disse, acrescentando: "Deve ter consequências exemplares. É inaceitável um colega agredir outro dentro das quatro linhas, e isto vale para todos. Tem de haver respeito mútuo."

Para Joaquim Evangelista, este caso pode também ter um efeito negativo pela possibilidade de poder afastar jovens de uma carreira na arbitragem, lembrando, por isso, que é necessário aumentar a educação dos jogadores e alterar a postura em relação aos árbitros.

"Temos de dar garantias aos árbitros e confiar neles, dar condições para que os erros diminuam. Incomoda-me que muitos jovens que alimentam o sonho de ser árbitro o deixem de fazer por causa deste exemplo. Não é fácil mudar comportamentos, mas temos de fazer um esforço. O desporto está a regredir deste ponto de vista", frisou.

Confrontado com as palavras do presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), Luciano Gonçalves, nas quais o dirigente afirmou temer que só haja mudanças efetivas quando um árbitro morrer em campo, o líder do Sindicato de Jogadores subscreveu a preocupação perante a escalada da violência no setor.

"Infelizmente parece que é disso que estamos todos à espera. Tem de haver mais humanidade no futebol, há muita clubite e vale quase tudo. O Sindicato dará o seu contributo positivo e lamenta que isto tenha sucedido. Que o responsável seja condenado exemplarmente", concluiu.

Já esta segunda-feira, o jogador Marco Gonçalves foi presente a um juiz no Tribunal de Gondomar e foi constituído arguido pelo Ministério Público (MP), com termo de identidade e residência, ficando a aguardar o desenvolvimento do processo em liberdade.

O ex-jogador do clube gaiense foi expulso logo aos dois minutos do encontro entre Rio Tinto e Canelas, da Divisão de Elite da Associação de Futebol do Porto, agredindo o árbitro José Rodrigues depois de receber ordem de expulsão por agressão a um jogador da equipa adversária. O jogo terminou de imediato e o juiz da partida viria a ser assistido pelo INEM.

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