O presidente do Tondela esclareceu hoje na assembleia-geral do clube o negócio de seis milhões de euros realizado em 2018 com o grupo espanhol Hope e anunciou que o início da construção da cidade desportiva arranca este ano.

“Não vendi o clube, o clube e o seu património estão intactos, aquilo que o Tondela perdeu foi tão somente três situações, para que fique claro o que o Tondela alienou: os jogadores de futebol, os seus passes e contratos, os direitos televisivos e um autocarro”, revelou Gilberto Coimbra.

No decorrer da assembleia-geral do clube, o dirigente, que falou durante quase uma hora e perante cerca de 70 sócios, explicou pela primeira vez o negócio, que foi oficializado e tornado público em 15 de novembro de 2018, com a passagem de 80% das ações da SAD para uma empresa do grupo Hope, com sede em Madrid.

“Não disse o número na outra assembleia, porque ainda não estava bem definido, mas divulgo agora. Estes 80% foram vendidos por 6,2 milhões de euros e, que eu saiba, nenhum clube que se queira manter na I Liga conseguiu tais valores, sendo que os 200 mil euros são para o aumento de capital”, divulgou.

Gilberto Coimbra lembrou que o grupo Hope “é também dono do Granada (Espanha), tem uma percentagem confortável do Parma (Itália), é dono de uma equipa profissional na I Liga da China e de uma outra equipa chinesa e de uma equipa de basquetebol nos Estados Unidos”.

“E tem uma outra coisa muito importante, que é o espírito e conhecimento do futebol e negoceia também em direitos televisivos para variadíssimos países. Por isso é que optámos por este grupo, porque tivemos quatro ou cinco propostas, nomeadamente do Deco”, revelou.

Gilberto Coimbra explicou ainda que dos seis milhões, “três só serão entregues quando estiverem concluídas as obras da cidade desportiva” e, até à data, já entregou 2,4 milhões de euros e o clube já gastou 370 mil euros na aquisição do terreno” para a construção do complexo desportivo.

“Comprámos 10 hectares, 100 mil metros de terreno, na quinta de Nandufe, onde vai ser construído o tal centro desportivo de formação, que terá todas as condições, com vários campos, para que todas as nossas equipas do futebol possam treinar, porque custava imenso ver três ou quatro equipas a treinar num só campo, à mesma hora”, esclareceu.

O dirigente, que termina o mandato no próximo ano, anunciou aos sócios que “ainda este ano vão arrancar as obras para a cidade desportivo, um compromisso assumido com o grupo espanhol” e que também é “a concretização de um sonho, o de dar continuidade à formação do futebol tondelense".

A equipa sub-23, prometida para iniciar na época passada e adiada para este ano, “também não vai arrancar em 2019, precisamente por falta de condições, porque não é possível ter mais equipas a treinar num só campo”, explicou Gilberto Coimbra, que assumiu o desejo de “ter todos os escalões a funcionar para dar vazão a todos os atletas da formação do Tondela”.

Da primeira tranche do dinheiro, explicou este responsável, “falta pagar 800 mil euros, que devem estar para chegar”, algo que o acredita que aconteça “por estes dias”, pois diz confiar no grupo que “quer manter o Tondela na I Liga, tal como todos os sócios o desejam”.

Contou ainda que a venda destes 80% de ações “foi a única forma de colocar o Tondela nas mãos de profissionais, porque não é fácil ter um clube na I Liga, exige muito conhecimento e trabalho e muito dinheiro”.

“Vocês deram autorização, esta direção concluiu isto e, ponto número um, o clube tem as suas contas em dia, não deve a ninguém, só está por pagar a conta corrente do dia a dia, que não são débitos. Ponto número dois, o seu património está intacto”, assegurou.

Gilberto Coimbra assumiu também que, “pela primeira vez, em 15 anos, o clube não deve dinheiro à federação portuguesa de futebol, de quem nunca recebeu um tostão, para saldar dívidas anteriores” à sua chegada, 2004, “livrando assim muitas pessoas de processos- crime”.

Nesta assembleia-geral foi também aprovado, por unanimidade, o relatório de contas de 2018, que contou com um saldo positivo de 1.588.557,74 euros.

De recordar que o relatório de contas do ano de 2017 contou com resultados positivos de 54.762,50 euros.

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