Os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2020 continuam a insistir que não há motivos para adiar  ou cancelar o evento, apesar da pandemia de Covid-19 que assola o mundo. Mas quanto custaria o cancelamento dos Jogos à terceira maior economia do Mundo?

Apesar de não haver números concretos sobre esse impacto, há um dado já adquirido: com ou sem Jogos Olímpicos, o principal risco para a economia japonesa este ano é uma prolongada epidemia global de coronavírus.

No início de 2019, os organizadores da prova estimavam um custo de 11,1 mil milhões de euros, valor dividido entre a cidade de Tóquio, o Comité Organizador e e Governo Central.

Mas os custos reais sobre dos Jogos Olímpicos no país foram debatidos calorosamente, com um relatório de auditoria amplamente divulgado, estimando os gastos do governo em quase dez vezes mais o orçamentado inicialmente.

As empresas japonesas também investiram dinheiro no evento em patrocínios, pagando um recorde de 348 mil milhões de ienes (2,8 mil milhões de euros). Estes números não incluem as parcerias firmadas entre grandes empresas e o Comité Olímpico Internacional pelos direitos de patrocinar vários Jogos. Entre elas estão gigantes como a japonesa Toyota, Bridgestone e Panasonic.

De acordo com analistas da Capital Economics, um fator-chave a ser considerado na hora de analisar o impacto do cancelamento dos Jogos na economia japonesa é que a maioria dos gastos já foi realizada. Isso significa que os efeitos dos gastos, principalmente na construção de novas infraestruturas desportivas, já foram incluídas no PIB nos últimos anos.

Um possível cancelamento teria um grande impacto negativo no turismo, assim como no consumo geral no país, já sob pressão após um controverso aumento dos impostos sobre vendas no ano passado.

O turismo no Japão já foi atingido antes do coronavírus, através de uma crise diplomática com a Coreia do Sul. Visitantes da Coreia do Sul eram o segundo maior contingente de turistas no Japão, atrás apenas da China.

E com o surto de Covid-19, o Japão sofreu uma queda de visitas de sul-coreanos e chineses que, juntos, representaram quase metade dos 31,9 milhões de visitantes estrangeiros no país em 2019.

O Japão tem uma economia industrializada e diversificada, pouco dependente do turismo, onde os gastos de visitantes estrangeiros representam apenas 0,9% do PIB em 2018, segundo a organização de pesquisa económica CEIC.

Porém, com o consumo interno débil, um possível cancelamento dos Jogos Olímpicos pode repercutir e deprimir ainda mais o consumo interno. Economistas da empresa de pesquisa Nomura já prevêem uma contracção de 0,7 por cento no PIB para o ano civil de 2020, mas alertam que isso pode chegar a 1,5 por cento se os Jogos forem cancelados.

Takashi Miwa, economista da empresa, disse à AFP que o principal impacto seria nos gastos domésticos, porque o cancelamento dos Jogos "afetaria gravemente a confiança do consumidor japonês".

Também pode privar o país de 240 mil milhões de ienes (1,7 mil milhões de euros), valor  que os adeptos estrangeiros podem gastar durante os Jogos Olímpicos.

Os organizadores do Tóquio 2020 recusam-se a revelar quantos estrangeiros esperam que visitem o Japão especificamente para os Jogos Olímpicos.

Até agora, 4,5 milhões de bilhetes para os Jogos foram vendidos no Japão, dos cerca de 7,8 milhões que se espera que sejam vendidos, 20 a 30 por cento deles no estrangeiro.

Em 2018, o ministério do turismo do Japão projetou que cerca de 600 mil espectadores estrangeiros estariam no país para ver os Jogos Olímpicos.

Usando uma projeção mais modesta de 300 mil visitantes estrangeiros para os Jogos, os economistas da SMBC Nikko Security previram que um cancelamento e a disseminação contínua do vírus reduziria o crescimento do PIB do Japão em 1,4 por cento.

Essa previsão supõe que o vírus ainda esteja a espalhar-se globalmente em julho, forçando o cancelamento. O grupo estima uma queda de 0,9 por cento no crescimento do PIB se o surto de Covid-19 terminar em abril.

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