A 102.º Volta a França em bicicleta arranca no sábado sem que ninguém se atreva a eleger um vencedor entre os quatro maiores nomes do ciclismo nas últimas épocas - Vincenzo Nibali, Chris Froome, Alberto Contador e Nairo Quintana.

Em tempos recentes, nunca uma Volta à França causou tanta expetativa. Neste Tour, pela primeira vez, têm encontro marcado os homens que dominaram as grandes Voltas nas últimas épocas.

Se no ano passado, com a ausência de Quintana, o tão esperado duelo entre o britânico Chris Froome (Sky), vencedor do Tour2013, e o espanhol Alberto Contador (Tinkoff-Saxo), vencedor das edições de 2007 e 2009, acabou com a vitória do italiano Nibali, depois de ambos os favoritos desistirem na sequência de quedas, a batalha que se inicia no sábado em Utrecht, na Holanda, e se estenderá por 21 etapas até 26 de julho, dia da chegada a Paris, é uma verdadeira incógnita.

Nibali teve uma temporada nervosa. Sob ele pendeu (e ainda pende) a ameaça de retirada da licença WorldTour à Astana, após vários casos de doping na equipa, e a incerteza pode tê-lo afetado, uma vez que somou um único triunfo, no domingo passado, na prova de fundo dos campeonatos nacionais de Itália.

Vencedor ‘por acaso’ em 2014 – o mérito de conquistar o Tour foi ofuscado pela desistência dos seus dois principais adversários -, o ofensivo e fantástico ‘descedor’ italiano, exímio no ‘pavé’ belga que a corrida vai cruzar na primeira semana, apresentou debilidades no Critério do Dauphiné, último grande teste de forças para a prova francesa, que consagrou Chris Froome.

Depois do ocaso da temporada passada, em que perdeu também na Vuelta para Contador, o britânico da Sky mostrou estar de regresso às grandes exibições na montanha, impondo-se no Dauphiné com dois triunfos em etapas. Metódico e racional, chega ao Tour mais motivado do que qualquer outro, com a confiança extra de ter derrotado o seu arquirrival espanhol no início da época, na Volta à Andaluzia.

É precisamente sobre Contador que pairam as maiores dúvidas. Depois de um Giro duríssimo, em que sobreviveu a avarias, quedas e desfalecimentos para vestir a camisola rosa final, ‘El Pistolero’ apresenta-se como o candidato com mais quilómetros nas pernas, mais desgaste acumulado, mas também como o único que esta temporada já não tem nada a provar.

Apostado em conseguir a dobradinha ‘Giro-Tour’, algo que nenhum ciclista consegue desde Marco Pantani em 1998, o madrileno, de 32 anos, saberá que esta poderá muito bem ser a última oportunidade para recuperar o terceiro cetro na sua prova preferida, o mesmo que perdeu na secretaria em 2010, devido a um positivo por clembuterol.

Quem o viu na Route du Sud, há apenas duas semanas diria que Contador descansou bem e está preparado para mais. Que o diga Nairo Quintana, que foi relegado para a segunda posição. O colombiano da Movistar, que deslumbrou na sua estreia no Tour em 2013, sendo segundo, vencedor da camisola da montanha e da juventude, regressa à prova que o apresentou ao mundo velocipédico com uma pressão que não então.

Depois de em 2014 a Movistar ter optado por fazê-lo trocar a Volta a França pela Volta a Itália, com as consequências que se sabem (venceu categoricamente o Giro), espera-se agora que o jovem de 25 anos, vencedor do Tirreno-Adriático, demonstre que a sua performance de há dois anos não foi um acaso de principiante.

A seu favor Quintana tem a ausência de um contrarrelógio individual longo – o que há é um ‘crono’ na primeira etapa, de 13,8 quilómetros nas ruas de Utrecht, e um por equipas, de 28 – e as cinco chegadas em alto previstas no menu dos 3,360 quilómetros desta edição. Contra, só a dificuldade que sentirá na chegada ao Muro de Huy, na terceira etapa, e nos sete setores de ‘pavé’ incluídos na tirada seguinte.

Com os quatro fantásticos do ciclismo – somam entre si 12 grandes Voltas, sete das quais de Contador – na contenda pela camisola amarela, dificilmente se poderá falar de outros nomes, ainda que seja inevitável mencionar os franceses Jean-Christophe Péraud (AG2R) e Thibaut Pinot (FDJ), segundo e terceiro classificados no ano passado.

Eles, tal como candidatos crónicos como os espanhóis Joaquim Rodriguez (Katusha) e Alejandro Valverde (Movistar) ou o norte-americano Tejay Van Garderen (BMC), terão de esperar por um azar de um dos favoritos para estarem no pódio em Paris.

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