Falar de Futsal em Portugal sem dizer o diminutivo do nome Ricardo deixou de ser possível há alguns anos. Com uma infância típica de uma criança que nasce nas raízes de uma família portuguesa de classe não abastada, Ricardinho desde cedo revelou um talento enorme com a bola nos pés, e em 2003, com apenas 17 anos chegava a Lisboa o pequeno Ricardo Braga para jogar no SL Benfica.

Foram 7 anos de águia ao peito onde Ricardinho mostrou ao mundo do Futsal a magia que saia dos seus pés, e golos, tantos golos que até as próprias estatísticas têm dificuldade em encontrar páginas onde caibam tanto talento, tanta arte, tanto saber!

Ganhou tudo o que tinha para ganhar, mas o nosso pequeno país à beira mar era pequeno para a dimensão do que criara e Ricardinho decidiu mostrar ao mundo que em Portugal estava alguém muito especial. Viajou pelo oriente, experimentou o Futsal do Leste mas era um “crime” de lesa mundo um artista desta dimensão não pisar o palco do melhor campeonato mundial e onde se espalham semanalmente os maiores craques do planeta, a Liga Espanhola.

Para Ricardinho o sonho era a “máquina verde” do Inter Movistar, a mesma que uns anos antes lhe tinha tirado a primeira disputa de uma Uefa Futsal Cup (que viria a conquistar em 2010 pelo SL Benfica no Pavilhão Atlântico contra os seus ídolos Schumacher, Luis Amado, Marquinhos e companhia), e foi lá que aterrou no campeonato espanhol, e Alcala de Henares nunca mais foi a mesma. A vila dos arredores de Madrid rapidamente se rendeu ao talento do pequeno português que em dois anos foi consecutivamente campeão de Espanha e o melhor jogador da Liga Espanhola. Golos, Assistências, corridas desenfreadas, passes tirados a régua e esquadro, Ricardinho é hoje o expoente máximo da melhor equipa Espanhola (onde milita também o compatriota Cardinal) mas de toda uma liga, de um país que se prende à televisão a cada jogo do Inter Movistar. Ninguém espera o resultado final, nem sequer um remate ou uma defesa estrondosa de qualquer um dos intervenientes. Todos aguardam e contam os segundos para Ricardinho entrar na quadra, de pisar a bola com os seus pés de veludo, de fazer mais um truque de mágico, e de sacar de onde ele quiser o que ele quiser, pois sabemos que dali só pode sair algo que nos deixe encantados, de boca aberta...

Jogar contra Ricardinho é o pesadelo de qualquer ser humano, ele corre mais que todos os outros, ele corre melhor que todos os outros, ele passa de olhos fechados o que a maioria não consegue fazer de olhos abertos, ele finta como ninguém, ele remata com a força de todos, ele assiste, ele trava, ele arranca, ele é “one man show” dentro daqueles 40 metros por 20, arriscaria a dizer que jogar ao lado dele é só saber estar no sítio certo, pois o momento exacto é ele quem escolhe, quem decide, e ele decide melhor que ninguém!

O mundo do Futsal está aos seus pés. Ricardinho coloca hoje em dia em causa a celebre frase dos desportos coletivos que ninguém ganha um jogo sozinho... É verdade, o resto da equipa é fundamental e faz parte do espetáculo, mas o epicentro do palco é o verdadeiro artista, o que enche pavilhões seja como visitado ou visitante, e quando se tem alguém ao lado do calibre de Ricardinho, sabemos que estaremos sempre muito mais perto da vitória.

Ele é hoje em dia o melhor jogador do mundo de Futsal, é Português e enche as redes sociais de vídeos, de frases de elogio, as colunas de todos os jornais desportivos do mundo com interesse pela modalidade e não só, porque ao contrário de outras modalidades desportivas, no Futsal não se discute o prémio da “bola de ouro” para o melhor do mundo... No Futsal só se discute a partir do segundo lugar enquanto houver Ricardinho!

Um espírito de guerreiro, de luta, de foco num objetivo de ser o melhor, de querer ser o melhor, de capitanear os seus soldados, de leva-los a todos e aos melhores palcos, Ricardinho é também ele um líder, um líder humilde, e um ídolo para todos os seus colegas de equipa que sentem o privilégio de alinhar ao lado de alguém que um dia decidiu mudar para sempre a modalidade do jogador “certinho”, do passe para o lado, do desmarque previsível e ordeiro, Ricardinho ajudou também a acabar com a tática, com a estratégia, Ricardinho ajudou os treinadores a evoluírem e a perceberem que é entre o ordeiro e o caos que se encontra a decisão, e é na decisão que os melhores se distinguem, e é na decisão que também ele é o melhor, no como, no quando e no porquê!

Mas algo te falta Ricardo. Permite-me que te diga isto do fundo do coração de alguém que é capaz de sonhar com as tuas jogadas, com os teus jogos e com a forma desprendida mas comprometida com que tu superas tudo o que queres dentro do Pavilhão de Futsal. Tens ainda muitos anos de Futsal para nos dar, mas está na hora Ricardo. O Futsal, o país, as pessoas que acompanham cada minuto da tua carreira, mas sobretudo todos os Portugueses e tu em particular que és dono de uma ambição sem limites sabem que falta algo...

A coroa que coroará a tua enorme e cheia carreira de sucessos, não irá ficar com um lugar vazio no local onde planeias colocar um título pela seleção nacional... É o único que te falta, e é algo que faz falta ao país e à modalidade, e que sabemos que deixarás tudo em campo para nos brindar mais ano menos ano com um titulo europeu ou mundial de seleções.

E se tu acreditas, quem somos nós para contrariar o melhor do mundo?

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