O Presidente da República de Cabo Verde mostrou hoje o seu ‘fair-play’, ao receber no palácio presidencial e com visível satisfação a seleção feminina de futebol da Guiné-Bissau, que na sexta-feira venceu por 1-0 a congénere cabo-verdiana.

Entre a comitiva encontrava-se Nadi, que marcou o único golo da partida, para alegria dos guineenses residentes na capital cabo-verdiana, onde o jogo se disputou, marcando a estreia da seleção feminina de futebol de Cabo Verde.

Jorge Carlos Fonseca recebeu a equipa, acompanhada do embaixador da Guiné Bissau em Cabo Verde, M´Bala Alfredo Fernandes, e do presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo.

No final do encontro, que incluiu uma visita ao palácio presidencial, recentemente remodelado, o chefe de Estado sublinhou que quis receber as atletas porque participaram numa partida que foi também "uma prova de amizade entre os dois países".

"Esperemos que as relações desportivas entre os dois países se estreitem e se traduzam no reforço das relações de fraternidade", afirmou Jorge Carlos Fonseca, para quem "não há nada melhor do que o desporto e a cultura para aproximar as pessoas, os povos, os países".

O Presidente da República referiu que, apesar de se tratar de um jogo particular, que não contou para qualquer competição oficial, "foi a primeira partida disputada pela seleção feminina de Cabo Verde e constituiu um grande estímulo para o futebol feminino".

Outro aspeto destacado por Jorge Carlos Fonseca foi o facto de ter sido disputado com uma equipa da Guiné Bissau, país ao qual Cabo Verde "está ligado pela história, cultura, por muitos laços”. “Foi um pioneirismo muito feliz”, observou.

Sobre o resultado, o Presidente da República disse que achava que deveria ter ficado pelo empate, aludindo ao facto de Cabo Verde ter falhado uma grande penalidade nos minutos iniciais da partida.

O treinador das guineenses, Sidico Keita, sublinhou que o primeiro passo que Cabo Verde está a dar agora no futebol feminino vai dar "bons resultados", mas disse que ainda enfrenta "muitas dificuldades" nos dois países.

"Os homens não acreditam nas mulheres a jogar futebol. Se fosse a seleção masculina o estádio estaria cheio", disse o técnico, para quem Cabo Verde deve continuar a trabalhar para um dia poder ir à Taças das Nações Africanas (CAN) feminina.

"Eu acredito na seleção feminina", continuou Sidico Keita, que sublinhou o empenho e dedicação das cabo-verdianas, muitas das quais choraram no final do jogo de sexta-feira.

A autora do único golo da partida foi Nadi Soares, de 18 anos, jogadora do Sport Benfica de Bissau.

"No momento fiquei muito emocionada com o golo e agradeço aos meus treinadores e às minhas colegas", disse a jogadora, afirmando que a Guiné ganhou o jogo, mas que as duas equipas "irmãs" ganharam pelo espírito de ‘fair-play’ manifestado em campo.

Nadi prometeu continuar a dar uma boa resposta sempre que surgir oportunidade para algum jogo e também pediu mais atenção ao futebol feminino.

"A seleção feminina merece e têm que nos dar mais atenção e apoiar-nos", advertiu Nadi, lembrando que a Guiné-Bissau venceu mesmo tendo chegado atrasada e no mesmo dia a Cabo Verde.

Depois do jogo na cidade da Praia, o chefe da delegação guineense e impulsionador do futebol feminino na Guiné-Bissau, António Tavares, disse que o país pretende retribuir o convite a Cabo Verde, para um jogo em Bissau, em 08 de março do 2019, no dia internacional da mulher.

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