Se há 425 dias, a 25 de junho de 2019, lhe dissemos o que ia contecer até hoje provavelmente pensaria que estariamos a falar de um filme de ficção-cientifíca. Da mesma forma que se lhe disséssemos que dalí por um ano ainda nem se tinham concluído os oitavos de final da edição da Liga dos Campeões que começava nesse mesmo dia pensaria que estavamos com algum problema, ou sobre o efeito de algo que nos fizesse dizer duas coisas destas de seguida.

A verdade é que chegamos a 23 de agosto de 2020, 425 dias depois da fase preliminar da Liga dos Campeões (fase que deu início à edição desta época), o dia da final entre Paris Saint-Germain e Bayern de Munique. Pelo meio uma pandemia que parou o futebol e o desporto mundial, que esvaziou os estádios e obrigou a novos hábitos.

A final, que estava marcada para Istambul foi 'desviada' para Lisboa. Os quartos de final e as meias-finais, que normalmente contavam com 12 jogos, com as duas mãos, foram reduzidos a seis. As equipas europeias deixaram de visitar a casa dos adversários e de serem visitadas pelos mesmos para rumarem todas à capital portuguesa, disputando todas as partidas entre os dois lados da 2.ª circular, no Estádio José Alvalade e o Estádio da Luz, local que recebe uma final sem público, como os novos tempos nos habituaram.

Apesar de tudo o que aconteceu - e ainda acontece - no mundo à volta, o regresso do futebol trouxe alguma normalidade, pelo menos a possível, aos adeptos do desporto-rei, que puderam de novo celebrar grandes golos, grandes jogadas, grandes goleadas mas desta vez só através do ecrã. A alegria da vitória continuou a invadir alguns, enquanto a derrota doia mais a uns que a outros, principalmente olhando para os 'underdogs' que marcaram presença nesta fase final inédita.

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Lisboa converteu-se na capital do futebol europeu,o local onde Bayern de Munique continuou o seu caminho goleador e alcançou a sua 11.ª final da Liga dos Campeões/Taça dos Campeões Europeus e Paris Saint-Germain chegou, por fim, ao derradeiro jogo da competição, em busca do seu primeiro título de campeão europeu.

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Duelo de campeões nacionais... pela segunda vez

É a Liga dos Campeões, mas tem sido raro nas últimas décadas termos dois campeões nacionais no jogo da final, o que vai acontecer este ano, pela primeira vez desde 1998.

O Bayern, campeão alemão, defronta o campeão francês, PSG, um duelo de campeões que não se via há 22 anos, desde que Real Madrid e Juventus se defrontaram no último jogo, com o campeáo espanhol a levar a melhor sobre o homologo italiano.

Além disso é a primeira vez na história da nova Liga dos Campeões que um emblema germânico enfrenta um francês na final da competição. Mesmo se contarmos com a Taça dos Campeões Europeus, é apenas a segunda vez que tal acontece sendo que na primeira também o Bayern foi o representante alemão, derrotando o Saint Étienne por 1-0 em 1976.

O Caminho do PSG: 1.º lugar do grupo e reviravolta frente ao Dortmund

À primeira vista o grupo do Paris Saint-Germain não se adivinhava muito fácil para os franceses. Colocados no grupo A, os parisienses marcavam encontro com o Galatasaray, o Club Brugge e... o Real Madrid, o crónico candidato.

Apesar disso, o PSG tratou de mostrar ao que vinha desde cedo, impondo uma derrota por 3-0 na receção ao Real Madrid. Seguiram-se vitória frente a Galatasaray (1-0) e uma goleada ao Club Brugge por 5-0. Depois de mais uma vitória frente aos belgas (1-0), seguiu-se a visita ao Santiago Bernabéu onde os parisienses se viram a perder por 2-0 aos 79 minutos, graças a um 'bis de Benzema (2' e 79'). Ainda assim o PSG conseguiu somar um ponto, com os golos de Mbappé (81') e Sarabia (83') e garantia o primeiro lugar do grupo.

O conjunto de Neymar e Mbappé fechou a fase de grupos com chave de ouro, ao golear o Galatasaray por 5-0.

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Depois de terminar no topo do grupo A, o Paris Saint-Germain marcou encontro com o Borussia Dortmund, que tinha terminado o grupo F no segundo posto. No encontro em Dortmund, o PSG saiu derrotado por 2-1, graças a um 'bis' do fenómeno Haaland. Neymar marcou o golo parisiense.

Na segunda mão, num Parque dos Príncipes à vazio devido à COVID-19, o Paris Saint-Germain deu a volta à eliminatória, com os golos de Neymar e Bernat, ainda no primeiro tempo, a colocarem os parisienses nos quartos de final da Prova Milionária, para o êxtase de centenas de adeptos que se juntaram no exterior do estádio da equipa.

Cinco meses de suspensão do futebol europeu depois, o Paris Saint-Germain encontrou a Atalanta, no primeiro jogo dos quartos de final em Lisboa. Pasalic marcou o golo do emblema de Bergamo aos 27 minutos, numa vantagem que durou até ao minuto 90, quando a reviravolta começou: Marquinhos apontou o golo do empate aos 90' e Choupo-Moting, já aos 90+3', carimbou a passagem do PSG às meias-finais da Champions, pela primeira vez desde 1995.

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Seguiu-se o Leipzig, outra das equipas sensação desta edição da Liga dos Campeões. No Estádio da Luz de novo, o Paris Saint-Germain colocou-se em vantagem aos 13 minutos, através de Marquinhos. Di María (42') deixou os parisienses com uma vantagem de dois golos ainda antes do intervalo e Bernat, já no segundo tempo, fez o terceiro golo que selou a vitória e carimbou a presença inédita do Paris Saint-Germain numa final da Champions, tal como Neymar tinha na cabeça.

O caminho do Bayern: Goleadas atrás de goleadas e o Barcelona que o diga

O Bayern de Munique começou a sua caminhada na Liga dos Campeões no grupo B, o mesmo de Tottenham, Olympiacos e Estrela Vermelha. Foram seis jogos, seis vitórias, marcando três ou mais golos em cinco dessas partidas, o primeiro sinal de que este Bayern não era para brincadeiras.

Os bávaros começaram por vencer o Estrela Vermelha, em Munique, por 3-0, antes de viajar para Londres para impor uma pesada derrota por 2-7 ao Tottenham - a primeira goleada da época. Seguiu-se uma vitória pela margem mínima frente ao Olympiacos, na Grécia, por 2-3, a única vitória por um golo de diferença que o Bayern soma até ao momento.

Depois de bater os gregos em Munique por 2-0, somou mais uma goleada, desta vez na visita ao Estrela Vermelha, vencendo por 6-0, antes de terminar a fase de grupos com mais uma vitória frente aos 'Spurs' desta vez por valores mais baixos (3-1).

Seis jogos, 24 golos marcados, cinco sofridos: o registo do Bayern de Munique nesta fase de grupos é histórico na Liga, sendo o melhor registo de sempre de uma equipa nesta fase, superando pela diferença de golos o anterior recorde, pertencente ao Real Madrid em 2011/2012.

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Depois de uma fase de grupos em modo soma e segue, o Bayern marcou encontro com mais uma equipa londrina, desta vez o Chelsea, que concluiu o grupo H na segunda posição, atrás do Valência.

No regresso a uma cidade que já tinha valido sete golos na fase de grupos, o Bayern voltou a vencer, desta vez por 3-0 e ficava com pé e meio nos quartos de final.

Depois da paragem do futebol europeu, o Bayern recebia o Chelsea, cinco meses depois da primeira mão, para selar o apuramento para a fase final de Lisboa ao bater os 'blues' por 4-1. Vitória por 7-1 no agregado e os bávaros colocavam-se a caminho da capital portuguesa onde tinham encontro marcado com o Barcelona.

Pouco mais de uma semana passou, mas é pouco plausível que o resultado da partida do dia 14 de agosto se apague tão cedo da memória de bávaros e catalães, para lá de todos os adeptos de futebol.

O Bayern mostrou a sua veia goleadora contra aquele que era, teoricamente, o adversário mais complicado que defrontava até ao momento na Prova Milonária e goleou o conjunto blaugrana por uns impensáveis 8-2, naquele que foi um dos resultados mais desnivelados registados na fase a eliminar de toda a história da Champions.

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Na meia-final encontrava o Lyon, equipa que encontrou nas 'meias' de 2010, tendo vencido no agregado por 4-0. Desta vez, a uma só mão, o Lyon até contou com excelentes oportunidades para deixar os bávaros em desvantagem nos primeiros minutos de jogo, mas o Bayern não demorou a colocar a bola no fundo da baliza. Gnabry bisou ainda na primeira parte (18' e 33') e Lewandowski fechou a conta aos 88 minutos, colocando o Bayern de Munique pela 11.ª vez numa final da Liga dos Campeões e pela primeira vez desde 2013.

Os números dos finalistas: O melhor ataque contra a melhor defesa

É impossível olharmos para os números das duas equipas presentes na final sem nos impressionarmos com o número de golos marcados pelo Bayern de Munique nesta edição da prova.

Os bávaros somam, com um jogo em falta, somam 42 golos marcados em 10 jogos, o que dá uma média de 4,20 golos por jogo, a mais alta registada na prova até ao momento.

Os germánicos estão a três golos de igualar o recorde absoluto do Barcelona de 1999/2000: nessa época os catalães marcaram 45 golos em 16 jogos (2,81 golos/jogo).

Além disso o Bayern pode-se tornar no primeiro clube a conquistar a Liga dos Campeões sem somar qualquer outro resultado que não a vitória, depois de já ter batido o recorde de vitórias consecutivas - dez - numa só edição da prova, na passada quarta-feira, ao bater o Lyon. Isto quer dizer que o Bayern pode alcançar um novo recorde (o recorde máximo) de 100% de vitórias numa edição da prova, sendo que o recorde atual pertence a Real Madrid e Barcelona que em 2013/2014 e 2014/2015, respetivamente, somaram uma percentagem de vitórias de 84,6%.

A título individual, também Lewandowski - melhor marcador da prova - tem um recorde ao alcance na final desde domingo: o polaco está a dois golos de igualar o recorde de golos marcados numa só época por um jogador, pertencente a Cristiano Ronaldo, que em 2013/2014 apontou 17 golos.

Já o Paris Saint-Germain é o segundo melhor ataque da edição deste ano, com 25 golos marcados - a larga distância do Bayern - mas têm uma carta igualmente importante a seu favor.

Os parisienses são a melhor defesa da prova, tendo sofrido apenas cinco golos nos 10 jogos realizados, uma média de 0,5 golos por jogo. O Bayern tem mais dois golos sofridos com o PSG, com uma média de 0,8 sofridos por jogo.

Histórico de confrontos

Bayern de Munique e Paris Saint-Germain já se defrontaram por oito vezes, todas durante fases de grupos da Liga dos Campeões. Os dois primeiros encontros datam de setembro e novembro de 1994, com os parisienses a vencerem os dois jogos, o primeiro por 2-0, em casa, e o segundo por 1-0 na visita aos bávaros.

A vitória do PSG é, de resto, o resultado mais comum entre as duas equipas que nunca empataram entre si. Os franceses venceram cinco encontros, com o Bayern a vencer os restantes.

A maior vitória do Bayern sobre o PSG foi em outubro de 1997, vencendo na receção aos parisienses por 5-1. Para o outro lado, a maior vitória registou-se mais recentemente, em 2017, com o Paris Saint-Germain a vencer por 3-0.

Onzes prováveis

Paris Saint-Germain: Rico; Kehrer, Thiago Silva, Kimpembe, Bernat; Verratti, Marquinhos, Herrera; Di María, Neymar, Mbappé

Bayern Munique: Neuer; Kimmich, Boateng, Alaba, Davies; Goretzka, Thiago; Perišić, Müller, Gnabry; Lewandowski

Arbitragem

O italiano Daniele Orsato será o árbitro da final da Liga dos Campeões desta época, entre Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, no Estádio da Luz.

Esta será a primeira final europeia no currículo do árbitro de 44 anos que  será auxiliado pelos compatriotas Lorenzo Manganelli e Alessandro Giallatini. Ovidiu Hategan, da Roménia, será o quarto árbitro. A cargo do VAR estará Massimiliano Irrati, auxiliado por Marco Guida.

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O último episódio da Liga dos Campeões 2019/2020 começa a jogar-se a partir das 20 horas, no Estádio da Luz, com Paris Saint-Germain e Bayern de Munique a lutarem entre si pela vitória na 65.ª final da prova.

Uma partida para acompanhar, AO MINUTO, no SAPO Desporto.

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