Ao quarto jogo da época, o 'leão' foi buscar forças onde parecia não haver para soltar o último 'rugido' e sair por cima dos adversários. Depois de ter vencido Farense (1-0 aos 91) e Benfica (1-0 aos 92) para a I Liga e FC Porto (2-1 aos 94) na meia-final da Taça da Liga, o Sporting voltou a ganhar um jogo nos descontos, graças a uma cabeçada de Coates que traiu o guardião gilista. Os líderes da I Liga perdiam em Barcelos por 1-0 aos 83 minutos, na 18.º ronda da prova, mas ainda foram a tempo de 'sacar' os três pontos e aumentar para oito a vantagem para o segundo colocado, o FC Porto, que empatou com o SC Braga.

O jogo: estava escrito nas estrelas (outra vez)

"Hoje [n.d.r. terça-feira] não foi estrelinha, foi querer e fizemos por isso. Já tivemos a estrelinha com o Belenenses e em jogos com os grandes, mas desta vez não. Procurámos até ao fim, o árbitro ainda não tinha apitado e eu senti sempre que podíamos fazer golo e ganhar", disse Rúben Amorim na conferência após o jogo, quando questionado sobre a 'estrela' que tem guiado o Sporting nalguns jogos.

Com estrelinha ou não, a verdade é que este Sporting é líder destacado da I Liga por mérito próprio. Pela forma como nunca desiste, como acredita até à última, como vai sempre à procura da felicidade. E, diz o ditado, 'quem procura, alcança'. Já são três vitórias garantidas na I Liga para lá do minuto 90, o que demonstra também a capacidade de superação desta jovem equipa de Rúben Amorim.

Em Barcelos, o Sporting voltou a ter as mesmas dificuldades que teve para bater o Gil Vicente (3-1 em Alvalade, com o empate a surgir só aos 82), embora na altura o treinador dos gilistas fosse outro (era Rui Almeida, técnico que foi substituído por Ricardo Soares). A formação leonina voltou também sentir as mesmas dificuldades que tem evidenciado perante equipas que defendem de forma compacta e muita recuada no terreno e só consegue 'penetrar' à lei da força.

O Gil Vicente, organizado em 4-5-1, sabia como podia 'ferir' o líder da I Liga: a defesa subida dos 'leões' era um convite para Baraye e Samuel Lino explorarem as costas dos centrais, principalmente de Coates, o mais lento dos três. Quando o japonês Kanya Fujimoto colocou os gilistas em vantagem à segunda oportunidade de golo (Baraye tinha falhado a primeira), aos 36 minutos, ao Sporting pedia-se paciência e mais critério no último passe para bater a defensiva gilista.

Rúben Amorim foi dotando a equipa de jogadores mais tecnicistas no segundo tempo (João Mário, Daniel Bragança, Gonçalo Inácio e Matheus Reis), deu mais poder ofensivo ao 3-4-3 antes de o desmontar para armar um 4-4-2, com Tiago Tomás na ala e Pedro Gonçalves ao lado de Paulinho e muita gente de cariz ofensiva no último terço para 'arrombar' a 'muralha' gilista.

Se o Gil Vicente até tinha conseguido sair em ataque organizado no primeiro tempo, no segundo foi incapaz. Mentalmente, a equipa preocupou-se mais em defender o resultado e não correr riscos na frente.

Com o acumular de jogadores ofensivos no último terço, seria Coates a ser 'guiado' por uma estrela para se tornar no Homem do jogo. O capitão leonino perdeu, no sábado, Santiago 'Morro' García Correa, avançado uruguaio e amigo de longa data de Coates. O avançado cometeu suicídio, na Argentina, ele que estava a sofrer de depressão. Assim que fez o primeiro golo, aos 83 minutos, Coates apontou para o céu, dedicando o golo ao seu "amigo e irmão", como reconheceu na zona de entrevistas rápidas.

E a noite chuva (e com granizo) era mesmo de Seba Coates. Aos 91, aproveitou um livre lateral para cabecear para o fundo das redes e dar os três pontos à sua equipa.

A tal 'estrelinha' que tem acompanhado o Sporting nalguns jogos voltou a brilhar e deixou os 'leões' com uma confortável vantagem de oito pontos na liderança em relação ao segundo, FC Porto, e 11 para SC Braga e Benfica. Em Alvalade ninguém quer falar do título mas a história está do lado do Leão: nunca uma equipa com oito pontos de vantagem na segunda volta perdeu o título da I Liga.

Momento do jogo: Coates, lama e meio 'frango'

Um livre lateral batido por Pedro Porro aos 91 minutos foi bem aproveitado por Coates para selar o triunfo. O gigante uruguaio foi deixado com um jogador mais baixo (Henrique), ganhou nas alturas e cabeceou de cima para baixo. A bola bateu numa poça de lama à frente de Dênis e não saltou, como o guardião esperava, e entrou no fundo da baliza. Fica a ideia que o guarda-redes gilista podia ter feito mais.

Os Melhores: Coates goleador, Claude Gonçalves o melhor dos 'galos'

Coates já tinha avisado aos dois minutos que a noite seria dela. Falhou o 1-0 nessa altura, de forma escandalosa, mas terminou o encontro com dois golos e como o mais rematador do jogo: cinco remates, três deles em direção à baliza. E é central.

Claude Gonçalves assistiu Fujimoto de forma sublime para o 1-0. É um dos melhores dos gilistas esta época e voltou a demonstra-lo, pela forma como trata a bola e como pressiona quando a equipa tenta recuperar.

Os Piores: 'Galo' ficou na 'capoeira' no 2.º tempo

Ao intervalo, o Gil Vicente tinha os mesmos dois remates à baliza que o Sporting, num total de seis (Sporting tinha 7) mas no segundo tempo desapareceu a nível ofensivo. A equipa foi incapaz de fazer qualquer remate nos segundos 45 minutos. Foi recuando, recuando, até sofrer a derrota. Faltou capacidade e frescura física para ter bola e subir no terreno.

Reações: Amorim nega estrelinha, Ricardo Soares inconformado

Rúben Amorim: "Se não formos muito intensos não temos arcaboiço para ganhar"

Coates dedica vitória a jogador que se suicidou: "Esta semana perdi um amigo, um irmão"

Ricardo Soares: "É uma pena não termos levado pontos. Merecíamos mais"

Henrique: "O que se passou nos minutos finais foi inglório"

Veja o resumo do Gil Vicente 1-2 Sporting!

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