A história do Benfica 2-0 Moreirense confunde-se com a história do adeus de Rúben Dias à Luz. Mas é também a história de um jogo de sentido único, em que o Benfica teve um domínio avassalador frente a um Moreirense (quase) inoperante em termos ofensivos, chegou a ter momentos de grande futebol, mas voltou a mostrar no capítulo da finalização uma ineficácia que pode custar (como já custou, na 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões) muito caro.

As 'águias' ficaram perto das três dezenas de remates, mas só conseguiram marcar por duas vezes, uma em cada parte. E se, desta vez, apesar de tantas ocasiões desperdiçadas (algumas delas de forma quase inacreditável), a vitória nunca pareceu ameaçada desde o momento em que Rúben Dias - investido capitão para aquele que terá sido o seu último jogo pelo Benfica antes de rumar a outras paragens - abriu o marcador até ao momento em que Seferovic saltou do banco para selar o triunfo, noutras ocasiões poderá muito bem acabar por não vir a ser assim...

O jogo: "Oh captain, my captain..."

Na constituição das equipas iniciais, poucas novidades. No Moreirense o mesmo 'onze' que havia batido o Farense na ronda inaugural, no Benfica apenas uma mexida, forçada, em relação ao 'onze' que tinha entrado em campo na goleada obtida em Famalicão, com o lesionado Adel Taarabt a ceder o lugar no 'onze' a Pizzi.

Mas um aspeto saltava à vista na folha entregue aos jornalistas com os 'escalonamentos': a braçadeira de capitão do Benfica, mesmo com André Almeida e Pizzi em campo, iria estar no braço de Rúben Dias. Um sinal de que os rumores da ida do defesa internacional português para o Manchester City, surgidos na véspera, eram afinal mais do que isso e de que esta iria ser uma noite especial - por todos os motivos e mais um - para o jogador formado no Seixal.

O futebol tem, tantas vezes, este encanto especial de escrever guiões perfeitos, como que saídos de um filme. E isso voltou a acontecer. Estava 'escrito' que  tinha de ser Rúben Dias a marcar o primeiro golo. O Benfica já tinha desperdiçado, por Darwin Nuñez e Verthongen, duas boas oportunidades para marcar quando, à passagem do minuto 20, o central e capitão saltou mais alto do que toda a gente na sequência de um pontapé de canto e - como tantas vezes o fez nas três últimas temporadas, desde que chegou à equipa principal do clube que o viu nascer para o futebol, cabeceou certeiro, para o fundo das redes. Nos festejos foi possível perceber a emoção do momento.

O encontro, esse, prosseguiu na mesma toada. O Benfica a mostrar um futebol de qualidade, bem à imagem de Jorge jesus, com muitas trocas de bola curtas e rápidas entre os seus jogadores, mas a falhar uma e outra oportunidade, e Pasinato a mostrar qualidade na baliza de um Moreirense que só por uma vez conseguiu ameaçar a baliza contrária.

A segunda parte trouxe mais do mesmo, com os 'encarnados', mesmo baixando o ritmo, a continuarem a criar situações de golo que não conseguiam concretizar, como aquela inacreditavelmente desperdiçada pelo alemão Luca Waldschmidt perto da hora de jogo. Até que Seferovic entrou em campo para mostrar aos colegas como se fazia e sentenciar em definitivo o desfecho do encontro.

Mas a história do jogo não era essa. E o sentido abraço de Jorge Jesus a Rúben Dias no final dos 90 minutos disse tudo. O jovem defesa central de 23 anos, eleito capitão para um adeus especial, está mesmo de partida e, como este jogo o demonstrou, vai deixar saudades. 'Oh captain, my captain'...

Rúben Dias abraça Jorge Jesus
créditos: © 2020 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

O Momento: Rúben Dias cabeceia para o golo

O Benfica mandava no encontro. Jogava bem e ia criando ocasiões de golo. Mas a bola teimava em não entrar. Darwin Nuñez, isolado, atirou ao lado, Vertonghen cabeceou a milímetros do poste, Everton rematou com perigo. Até que, na sequência de um canto, à passagem do minuto 20, o golo iria aparecer. Pontapé de canto - um dos aspetos, as bolas paradas, onde se viu muito e bom trabalho por parte da equipa de Jorge Jesus -  e cabeçada perfeita, para o fundo das redes, de Rúben Dias. Nesta noite, tinha mesmo de ser ele.

O Melhor: Rúben Dias, claro, mas também Darwin Nuñez a mostrar valor e Pasinato a evitar males maiores

Num jogo tão especial para si e em que o Moreirense pouco trabalho deu ao setor mais recuado do Benfica, Rúben Dias envergou a braçadeira de capitão, fazendo jus ao título e deu o exemplo, mostrando aos colegas da frente como se fazia, assinando o primeiro golo da partida, que festejou de forma efusiva e emotiva.

Quem ainda não marcou foi Darwin Nuñez. Mas o avançado uruguaio, jogador mais caro da história do Benfica e do futebol português, mostrou muita mobilidade, disponibilidade para o jogo, capacidade física e bons pormenores, aspetos bem patentes na fantástica arrancada pela direita e excelente assistência para o golo de Seferovic.

E se a vitória do Benfica não foi mais volumosa, tal ficou a dever-se, também, a Pasinato, que negou por duas vezes o golo a Everton, numa delas com uma extraordinária intervenção com a perna esquerda, e evitou também que Pizzi marcasse. Foi, de longe, o melhor elemento do Moreirense em campo.

O Pior: a ineficácia do Benfica e a inoperância (defensiva e ofensiva) do Moreirense

Tanto volume ofensivo por parte das 'águias' tinha, necessariamente, de resultar em mais golos. Darwin e Everton estiveram isolados frente a Pasinato e não conseguiram marcar, mas a perdida da noite foi de Waldschmidt, que até de forma algo displicente permitiu que um defesa do Moreirense cortasse a bola sobre a linha de golo quando tinha a baliza à sua mercê.

Quanto ao Moreirense, pouco atacou e falhou a defender. A falta de reforços e a força deste Benfica 2020/21 apontadas pelo treinador Ricardo Soares no final da partida são justificações que se aceitam, mas é preciso mais, mesmo perante um adversário (muito) superior. No ataque, Pedro Nuno e Fábio Abreu pouco se viram, e na defesa os centrais Rosic e Steven Vitória foram batidos demasiadas vezes.

Estatísticas e Curiosidades

- Três épocas depois, o Benfica voltou a ganhar em casa ao Moreirense. Na época passada tinha-se registado um empate e há duas épocas os de Moreira de Cónegos tinham vencido por 3-1.

- Rafa ficou 'em branco' pela primeira vez esta temporada, depois de ter marcado nos dois primeiros jogos da época, na derrota frente ao PAOK e na goleada frente ao Famalicão.

- Pela primeira vez nos seus dez últimos jogos na condição de visitante, o Moreirense não marcou qualquer golo.

As reações

Jorge Jesus: "O Moreirense não saiu daqui com um saco cheio de golos porque não calhou"

Jorge Jesus confirma "quase de certeza" saída de Rúben Dias e quer mais dois centrais

Emocionado, Rúben Dias admite: "É um momento especial e acho que já toda a gente sabe o porquê"

Ricardo Soares: "Há uma diferença abismal entre este Benfica e o dos outros anos"

O resumo

Veja os golos e os melhores momentos da partida.

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