Um clássico é sempre um clássico. Mas este, o primeiro da época, tem mais motivos de interesse, apesar de ainda se disputar à porta fechada e, assim, sem que o relvado encontre nas bancadas a extensão ideal para um jogo desta dimensão. Contudo, trata-se da primeira jornada após o fecho de mercado e, portanto, temos a (forte) possibilidade de assistir a uma série de estreias, de um lado e do outro.

João Mário será um provável titular nos leões, mas João Palhinha também deverá ser opção pela primeira vez com Rúben Amorim. Além destes, há a destacar o previsível regresso de Jovane Cabral ao ataque, ele que se lesionou na primeira jornada. Do outro lado, Zaidu e Malang Sarr disputam o lugar na esquerda da defesa de Sérgio Conceição e um deles deverá mesmo ser titular pela primeira vez.

Ainda assim, nem só de entradas se faz este clássico: no FC Porto há a destacar o facto de se tratar do primeiro jogo já sem Danilo e Alex Telles, dois habituais titulares dos campeões nacionais. Sendo ambos jogadores com relevância no seio da equipa, o lateral brasileiro parece ser aquele que deixa uma herança mais pesada e um desafio mais difícil para o seu substituto, seja qual for o eleito do técnico azul e branco. No Sporting, Wendel saiu e, apesar de já não ter jogado na última partida, frente ao Portimonense, está ainda por perceber se o seu lugar será ocupado por Pedro Gonçalves ou por… João Mário.

Mudanças… só nas caras: no jogar de cada equipa não deve haver mudanças

Apesar de ser expetável que haja algumas estreias e outros regressos, não se depreenda por isso que as equipas se vão apresentar de forma muito diferente daquilo que têm feito até então, quer ao nível do sistema tático, quer pensando em termos estratégicos ou de intenções. Jogadores diferentes dão coisas diferentes ao jogo, mas o sentido coletivo de cada formação não deverá ser muito afetado por isso.

Do lado do Sporting, a equipa continuará no seu 3-4-3 do costume, restando a dúvida sobre a composição do meio-campo e do ataque. João Palhinha ainda não jogou em jogos oficiais (esteve infetado com Covid-19), mas deve ser a primeira opção para Amorim, que já o treinou no SC Braga, na época passada. Assim, a menos que surpreenda ao optar por um meio-campo mais conservador, e aí Matheus Nunes continuaria no 11, o substituto de Wendel deve ser Pedro Gonçalves – ele que antes jogava mais adiantado, mas desceu frente ao Portimonense – ou… João Mário. O ex-Famalicão é um jogador mais agressivo, com e sem bola, e isso pode ajudar no aspeto defensivo, mas ofensivamente parece mais propenso ao erro do que o internacional português. Resta saber o que prioriza o treinador dos leões para a posição.

No ataque, portanto, jogará quem não atuar ao lado de Palhinha: João Mário ou Pedro Gonçalves. Seja qual for, deve ser o elemento com maiores responsabilidades na ligação entre meio-campo e ataque, preenchendo a zona entrelinhas, atrás dos médios azuis e brancos. No meio, o objetivo passará por tirar referências de marcação aos centrais do FC Porto, colocando um elemento muito móvel no ataque como avançado: Jovane ou Vietto. Embora de perfil bem diferente, tanto um como o outro não são jogadores para se dar à marcação. Jovane ataca mais o espaço nas costas da defesa; Vietto prefere baixar e pedir no pé. Por fim, o trio deverá ser completado por Nuno Santos, apesar da boa resposta de Tiago Tomás quando chamado.

O espaço nas costas da defesa leonina: ouro para dragões, terror para leões

A capacidade da equipa campeã nacional para atacar os espaços nas costas das defesas contrárias (quando elas o concedem) não é novidade. Trata-se da especialidade de Marega, mas Taremi ou Toni Martinez, se forem chamados, também são competentes nesse parâmetro. Do outro lado, é claro que Rúben Amorim gosta de manter a sua defesa bem subida, para aproximar os setores, e por isso não é de estranhar, como de resto já aconteceu na época passada, que esse seja um dos fatores a explorar na estratégia de Sérgio Conceição.

Para acentuar a tendência, os três centrais do Sporting não são propriamente rápidos: Luís Neto, Coates e Feddal, todos muito experientes, destacam-se por outras capacidades, mas a velocidade não é uma delas. Não se trata da única característica para defender alto e bem, mas ajudaria. A coordenação destes três elementos, bem como de Ádan, poderá ser barómetro para avaliar o sucesso da equipa da casa que, na Liga, ainda não sofreu golos nos dois jogos disputados.

De resto, Sérgio Conceição tem-se demonstrado um especialista nos jogos grandes: na época passada, por exemplo, ganhou todos. É um técnico forte na vertente estratégica, mas para este encontro não teve (como Amorim) vida fácil na preparação por via dos muitos internacionais que chegaram mais tarde. O principal desafio vai mesmo ser quem e como se substituirá Alex Telles, mas o mais provável é que seja Zaidu o escolhido, ele que já teve minutos, mas não como titular. É, apesar das óbvias distâncias, aquele que conseguirá fazer a equipa ressentir-se menos da falta do agora jogador do Manchester United.

De resto, há a curiosidade de entender como se apresentará o meio-campo dos dragões, agora sem Danilo. Entrou Grujic, sim, mas não é esperado que entre já de caras na equipa, pelo que o mais provável é mesmo termos Otávio a voltar a jogar no corredor central, conferindo maior criatividade nesse espaço. O 4-3-3 deverá manter-se, assim, até para que os três da frente consigam pressionar com maior eficácia a construção leonina, um pouco como fizeram na jornada inaugural, diante do SC Braga, que jogou no mesmo sistema tático do Sporting CP.

Certo é que, numa fase inicial do campeonato e sem adeptos nos estádios, a pressão não é tanta como noutros clássicos, mas a equipa que ganhar envia um forte recado à concorrência. Se for o Sporting, após um bom mercado de transferências, pode ser um sinal de que talvez a equipa verde e branca não parta assim tão atrás. Se for o FC Porto, a confirmação de que o desaire com o Marítimo não foi mais do que um tropeção sem grande significado.

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