Não acredite em tudo o que ouve. Da mesma forma que um relâmpago pode atingir duas vezes o mesmo lugar, também uma equipa pode falhar dois penáltis num só jogo. Porque foi isso que aconteceu esta sexta-feira. O FC Porto falhou duas grandes penalidades, marcou um golo, mas sofreu outros dois na sequência de pontapés de canto, e assim acabou a primeira volta da mesma forma que começou: a perder – segunda derrota para o campeonato, primeira em casa.

A equipa de Sérgio Conceição teve mais bola, mais ocasiões de golo, mas falhou tremendamente na eficácia e vê agora o primeiro lugar ainda mais longe – sete pontos de distância para o Benfica. Mas houve também mérito do SC Braga, que teve sangue frio para aguentar a pressão portista durante grande parte do jogo, e soube aproveitar as oportunidades de que dispôs para voltar a vencer no Dragão, 15 anos depois. E são já três vitórias em outros tantos jogos com Rúben Amorim no comando.

Ainda sem Pepe (lesionado), o treinador do FC Porto apostou em Mbemba para ir a jogo ao lado de Marcano, deixando Diogo Leite no banco. Wilson Manafá foi titular no lado direito da defesa, o que permitiu subir Corona para o meio-campo. Já Rúben Amorim voltou a apostar num sistema de três centrais, mas surpreendeu ao não apostar em Ricardo Horta para a frente de ataque - entrou Wilson Eduardo. Murilo passou do onze para a bancada depois da recuperação de Sequeira, que falhou o jogo contra o Tondela por lesão.

Logo aos cinco minutos de jogo, Fransérgio adiantou os minhotos no Dragão. O golo foi inicialmente invalidado por Carlos Xistra, por suposto fora de jogo de Raul Silva, mas depois de ver as imagens do VAR, o árbitro acabou por dar o lance como legal. O FC Porto sofria um golo de bola parada, uma das suas imagens de marca, com Danilo a aliviar mal um remate de Trincão, após canto, e Fransérgio a não perdoar na recarga.

Como era esperado, o FC Porto reagiu bem ao golo e teve várias oportunidades de empatar, por Manafá e Marcano, este com um cabeceamento à barra da baliza de Matheus. O guardião dos bracarenses voltou a sentir calafrios já perto da meia hora, quando Bruno Viana fez um atraso arriscado, com a bola a sair muito perto da baliza.

O ritmo estava frenético, muito por culpa da pressão dos azuis e brancos. A equipa minhota foi controlando as emoções e o assédio portista até que aos 42 minutos Corona entrou na área e adiantou a bola, antes de sofrer um toque de Raúl Silva. Carlos Xistra apontou para a marca dos 11 metros, mas Alex Telles não conseguiu bater o guarda-redes do SC Braga, que defendeu com o pé esquerdo.

A segunda parte começou com uma alteração no lado do SC Braga. Rúben Amorim tirou o 'amarelado' Raúl Silva para apostar em David Carmo, jovem da formação minhota e campeão europeu sub-19, que fazia a estreia pela equipa principal. A inexperiência do central fez-se notar rapidamente, quando rasteirou Otávio na área. Novo penálti favorável ao FC Porto, desta feita cobrado por Tiquinho Soares, que também não aproveitou, atirando ao poste (56’).

O brasileiro redimiu-se apenas dois minutos depois, concluindo uma jogada de Marega na direita. Foi o 100.º golo da carreira do avançado, frente a uma das suas ‘vítimas’ de predileção - só o Chaves encaixou mais golos de Tiquinho. O VAR ainda analisou um possível fora de jogo de Marega, mas acabou por validar a jogada, perante a euforia dos mais de 35 mil adeptos presentes no Dragão. Naquele momento sentiu-se que o jogo iria cair para o lado azul e branco.

Só que o SC Braga não se intimidou com a resposta do FC Porto e passou a aventurar-se mais nas saídas para o contra-ataque. Numa transição rápida de Ricardo Horta, que substituiu Wilson Eduardo, Paulinho obrigou Marchesín a defender para canto, e logo depois o avançado fugiu à marcação de Mbemba na pequena área e penteou a bola de cabeça, fazendo-a entrar ao segundo poste (75').

O segundo golo dos minhotos levou Sérgio Conceição a mexer na equipa, mas nem Aboubakar e Luis Díaz ajudaram a minimizar os ‘estragos', e o melhor que o FC Porto conseguiu foi um cabeceamento de Soares, aos 84 minutos, que Matheus segurou. O SC Braga ainda esteve perto de 'matar' o jogo, mas Mbemba antecipou-se a Paulinho, que já estava preparado para fazer o 3-1 depois de um cruzamento rasteiro de Ricardo Horta. O marcador não sofreu mais alterações e o SC Braga saiu mesmo do Dragão com os três pontos, algo que já não acontecia desde a época 2004/05. E o FC Porto só pode culpar-se a si próprio.

O momento

Golo de Paulinho aos 75 minutos: O desvio de cabeça do avançado surgiu numa altura em que tudo parecia apontar para a reviravolta do FC Porto, já depois de Soares fazer o empate. A canto de Sequeira, Paulinho fugiu à marcação de Mbemba e apareceu junto ao primeiro poste para desviar para o 2-1, com a defesa portista a ficar mal na fotografia. A vantagem não mais fugiu aos minhotos.

O melhor

Fransérgio: Marcou logo aos cinco minutos e conseguiu ser um dos elos de ligação da equipa, enchendo o campo como poucos. Ajudou a travar, com a ajuda de Palhinha, a forte reação do FC Porto. De realçar, também, a exibição de Matheus, determinante ao defender o primeiro penálti (de Alex Telles) a um minuto do intervalo.

O pior

Desperdício portista: Raúl Silva e David Carmo não estiveram bem ao cometer dois penáltis que poderiam ter comprometido as aspirações dos minhotos à vitória. Mas o que dizer dos falhanços de Alex Telles e Soares?

Reações

Sérgio Conceição diz que foi um "jogo ingrato e infeliz" do FC Porto

Rúben Amorim: "Cada treinador tem as suas qualidades, mas depois é preciso ter a estrelinha"

Soares: "Não há muito a falar, é treinar e trabalhar mais"

Paulinho: "Esta vitória só nos pode motivar para os jogos que aí vêm"

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Desporto. Diariamente. No seu email.

Notificações

SAPO Desporto sempre consigo. Vão vir "charters" de notificações.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.