A portuguesa Inês Henriques, campeã mundial dos 50 km marcha em 2017, disse hoje à Lusa estar “triste” com a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), que encerrou o processo de inclusão da modalidade no feminino em Tóquio2020.

Numa decisão anunciada hoje sobre o recurso interposto por várias atletas, o TAS considerou não ter jurisdição para julgar o caso, deitando por terra as aspirações de se aplicar a decisão junto da World Athletics (antiga IAAF) e do Comité Olímpico Internacional (COI).

“Sinto-me triste, foi uma luta que travei desde o início e que gostava de vencer, independentemente do que pudesse alcançar nos Jogos Olímpicos. Queria lá estar, na prova em que fui a primeira campeã do Mundo e da Europa. Não vai ser possível, mas vou começar a treinar para os 20 quilómetros marcha, porque quero, mesmo que sem as mesmas ambições, estar nos Jogos”, explicou à Lusa.

Ao lado de Inês Henriques estiveram Claire Woods (Austrália), Paola Pérez, Johana Ordóñez e Magaly Bonilla (Equador), Ainhoa Pinedo (Espanha) e Erin Taylor-Talcott (Estados Unidos), além de um atleta do setor masculino, o bicampeão olímpico Quentin Rew (Nova Zelândia), atletas que levaram o processo a Lausana, sede do TAS.

Para a portuguesa, o quinto adiamento do processo, que hoje foi encerrado, acabou por deitar por terra a esperança, e atirou-se a uma “justiça muito relativa”.

“Desde o início a decisão estava tomada. Foi só ganhar tempo para termos cada vez menos margem”, atirou a atleta lusa, que se sente “maltratada”, um sentimento revoltante.

Para Inês Henriques, o plano passa agora por “começar a treinar para os 20 km marcha”, vendo nos 50 kms um objetivo para os Mundiais de 2021, até porque vê nas intenções do COI a vontade de “terminar com os 50 km” também no programa masculino, em termos de Jogos Olímpicos, por ser “mais fácil do que integrar as femininas”.

A prova dos 50 quilómetros marcha, que fez a sua estreia no feminino em Mundiais em 2017, seguindo-se 2019, em Doha, é a única de todo o programa de pista de Tóquio2020 que não tem instâncias masculinas e femininas.

“Se verdadeiramente quisessem a igualdade, era uma forma de eles demonstrarem que estão a trabalhar nesse sentido. Infelizmente, foi esta a decisão que foi tomada. Estou consciente que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para conseguir este objetivo. Infelizmente, foi esta a decisão tomada”, comentou Inês Henriques.

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