A Espanha vai recorrer da sanção de 10 pontos na qualificação para o Mundial de râguebi, decisão da World Rugby (WR) que qualifica Portugal para o torneio de repescagem, confirmou hoje o presidente da federação daquele país.

Em conferência de imprensa, no Conselho Superior do Desporto, em Madrid, Alfonso Feijoo confirmou a intenção de recorrer para um comité de apelação dentro do prazo de 14 dias e que, depois, irá abandonar o cargo de dirigente máximo da modalidade em Espanha.

“Entendo a desilusão dos jogadores, do ‘staff’ e dos adeptos, os mais prejudicados por uma decisão da World Rugby que não considerou as circunstâncias excecionais que envolveram o caso. Por isso, confirmo que iremos recorrer da decisão, que nos parece desproporcionada, e nos retira nos gabinetes aquilo que ganhámos em campo”, afirmou Alfonso Feijoo.

O dirigente aproveitou, também, para “lamentar o desenlace”, mas garantiu que os dirigentes federativos foram “enganados” e que nunca pensou “que alguém pudesse, alegadamente, falsificar um documento oficial no râguebi”, mas prometeu assumir a responsabilidade.

“Antes que me perguntem, digo-vos já: vou sair. Mas não antes de que os processos estejam suficientemente encaminhados e sem a possibilidade de que os novos responsáveis do râguebi espanhol possam suspendê-los sem aprovação das autoridades”, anunciou.

Feijoo, de resto, reiterou a informação de que o pilar de origem sul-africana, Gavin Van den Berg, e o seu clube, o Alcobendas, “alegadamente falsificaram” o passaporte do jogador para que este pudesse ser inscrito como jogador de formação e cumprir a lei 8 da WR, referente à elegibilidade de jogadores para representar uma seleção nacional.

A WR confirmou na quinta-feira a presença de Portugal no torneio de repescagem para o Mundial de França 2023, após a sanção de 10 pontos aplicada a Espanha.

"Sujeito ao direito de recurso da Espanha, a dedução de 10 pontos aplicada na classificação para o Mundial de 2023 significa que a Roménia se qualifica como Europa 2 para o Grupo B, no lugar da Espanha, e que Portugal substitui a Roménia no torneio de qualificação final, em novembro de 2022", indicou o organismo que superintende o râguebi a nível internacional.

Em 28 de março, 15 dias após a vitória sobre Portugal (33-28) que qualificou a Espanha diretamente para o França2023, a WR nomeou uma comissão independente para examinar o potencial incumprimento da lei de elegibilidade de jogadores por parte da Espanha.

Em causa estava a utilização de Gavin van der Berg, pilar de naturalidade sul-africana utilizado pelos 'leones' nos dois encontros frente aos Países Baixos, que a Espanha venceu por 43-0 e 52-7, somando cinco pontos em cada encontro, por via do bónus ofensivo.

O regulamento de elegibilidade da World Rugby estabelece que um jogador pode tornar-se elegível para representar um país diferente daquele onde nasceu por ascendência familiar ou residindo no novo país durante três anos de forma ininterrupta ou 10 anos alternadamente.

Gavin Van der Berg chegou a Espanha em 2018 e estreou-se pelos 'leones' em dezembro de 2021, mas terá interrompido a sua 'estadia' em Espanha entre maio e setembro de 2019, quando regressou à África do Sul após o final do campeonato espanhol.

Esta é a segunda vez consecutiva que a Espanha fica de fora do Mundial devido à utilização irregular de jogadores.

Em 2018, a World Rugby sancionou a Espanha, a Roménia e a Bélgica pela utilização de jogadores não elegíveis, decisão que resultou no apuramento direto da Rússia para o Mundial de 2019, após terminar a qualificação em quarto lugar.

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