
Portugal defronta no sábado (15h30) a Espanha nas meias-finais do europeu. Estádio Nacional será o palco para jogar diante amigos e família. Simon Mannix pede apoio e quer que os lobos deem continuidade aos progressos feitos. Aborda as cedências e ausências de jogadores da seleção nacional negociadas com os clubes franceses e considera ser um questão frustrante para jogadores, clubes e selecionadores.
O apuramento para o campeonato do mundo de râguebi na Austrália, em 2027, era o primeiro objetivo de Portugal no Rugby Europe Champhionship 2025 (REC2025).
A seleção nacional terminou em 1.º lugar do grupo B do torneio regional de qualificação e é uma das quatro nações europeias (Geórgia, Roménia e Espanha), para já, garantidas no Mundial2027. A quinta, poderá sair do torneio de repescagem, em novembro.
Alcançado essa meta, Simon Mannix aponta outra a atingir no jogo das meias-finais do REC, frente à Espanha, sábado, 1 de março, no Estádio Nacional (15h30).
“Quero ver progressão, quero ver a equipa a melhorar. E estamos a melhorar fisicamente, tecnicamente desde o jogo com os Estados Unidos (derrota por 27-31, na janela internacional de novembro), e o nosso râguebi está a ficar melhor”, disse, em conversa com o SAPO DESPORTO, no CAR Jamor. “Se nos preparamos bem, a consequência será positiva, que é o que queremos”, sustentou.
Em relação ao duelo ibérico, o selecionador nacional é evasivo. “Não estou aqui para fazer comentários sobre o adversário”, disse. Prefere fixar a conversa na qualificação espanhola precedida de duas desqualificações consecutivas por inscrição irregular de jogadores, após terem assegurado o apuramento para o Mundial do Japão2019 e França2023 (este último garantido após vitória frente a Portugal).
“A qualificação (para o Mundial) foi uma ótima notícia para Espanha. Sofreram um turbilhão emocional durante as últimas duas qualificações, e isso doeu. Não posso imaginar o quão difícil foi mentalmente para a equipa, jogadores e toda a federação”, opinou.
“São um ótimo exemplo. Estão a competir nos sub-20 ao mais alto nível (Mundial) e estão bem no râguebi feminino e nos sevens (residentes no Circuito Mundial)”, analisou. “Será bom testarmo-nos, para ver como estamos em relação a eles e espero um bom jogo”, rematou, na expetativa de repetir a vitória obtida no ano passado, triunfo (27-10) que deu a Portugal a respetiva passagem à final do europeu.
“Venham apoiá-los”
O Estádio do Restelo foi a casa dos lobos na fase de grupos do REC2025 e o palco da dupla vitória frente à Bélgica e Alemanha. Agora, o XV luso muda-se para o Estádio Nacional, um cenário com outro peso na história do desporto português.
Simon Mannix recua à noite da qualificação assegurada no Restelo, dia 9, frente à seleção germânica. “Foi uma grande ocasião a qualificação em casa, em frente ao nosso público. E foi um momento emocionante para muitos jogadores que nunca se esquecerão desse momento (os outros dois apuramentos de Portugal aconteceram, no Uruguai, 2007 e no Dubai, 2022).
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“Agora, temos a meia-final em casa. Os jogadores ganharam esse direito” depois da “boa exibição e vitória numa viagem muito difícil à Roménia”, recordou. “Será ótimo ver muitas pessoas (no Estádio). Venham apoiá-los. Confio que possamos atuar ao nível que desejamos”, antecipou.
Questionado sobre se a subida ao Campo de Honra do Estádio Nacional poderá pesar nos jogadores, Mannix contrapôs. “Não sou a pessoa certa para responder a essa questão. Obviamente, tenho muito respeito pela história portuguesa e pelo que o estádio representa. Mas, o que representa, de facto, para eles, honestamente, não sei. Diria uma oportunidade. Jogar em casa, em frente à família e amigos, é uma excelente oportunidade”, comentou.
Frustrante para jogadores, clubes e selecionadores
À ausência de jogadores-chave (Samuel Marques, Rodrigo Marta, Luka Begic ou Joris Moura) que atuam nos campeonatos profissionais em França, à partida, não perturba o selecionador nacional. “Retenho outros”, retorquiu.
A velha questão da cedência dos jogadores às seleções serviu de pretexto para prolongar a conversa com o SAPO DESPORTO. “É um problema que existe há muito tempo, antes de eu chegar”, relembrou. “Alguém tem de se levantar e começar a organizar essas questões”, esclareceu o treinador neozelandês.
As ausências até poderiam impactar com o apuramento que “era importante para Portugal, Roménia, Geórgia e Espanha”. Algo que, felizmente, não aconteceu.
“A Espanha também tem muitos dos seus jogadores indisponíveis. São outros problemas, para além do meu controle”, recordou.
“Mas não quero dizer que nos vamos sentar e aceitar”, exclamou. “Temos um presidente que está motivado para encontrar uma solução. E tenho a certeza que todos os presidentes participantes no campeonato, partilham todos do mesmo ponto de vista. Gostaríamos de ver uma solução, ao invés de continuar assim”, afirmou.
Esta semana, a imprensa especializada francesa destacou a eventual perturbação do campeonatos secundários profissionais (Pro2) - https://prod2.lnr.fr
por força do choque existente entre os interesses dos clubes e os jogadores chamados às seleções participantes no REC.
“Só lido com o que tenho de lidar. As janelas internacionais existem por uma razão. Acho que as estruturas governativas têm..., bom, mas não é o lugar para dizer o que devemos fazer. Tenho de lidar com a realidade. E essa é frustrante. Frustrante para os jogadores, para os clubes em França e para os selecionadores”, concluiu. “Temos de tentar encontrar uma solução comum. E espero que algo aconteça”, suspirou.
O tema não se esgota na atual competição europeia que envolve equipas do Tier2, segundo escalão do râguebi mundial. Até ao Mundial Austrália2027, para além das janelas de inverno e verão, “teremos a uma nova competição dirigida pela World Rubgy (WR) e pela não Rugby Europe e teremos de ter os jogadores”, frisou.
“Sabemos o que temos de fazer. Estamos conscientes dos calendários. Esperemos que a WR faça as coisas da forma correta em todas as competições de alto nível”, finalizou.
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