A Polícia Judiciária realizou buscas na SAD do Benfica e do Santa Clara, numa operação conjunta com o Ministério Público (MP) e a Autoridade Tributária (AT), na manhã de segunda-feira, na sequência de uma investigação que visa crimes de participação económica em negócio ou recebimento indevido de vantagem, corrupção ativa e passiva no fenómeno desportivo, fraude fiscal qualificada e branqueamento.

Os agentes estão a investigar negócios relacionados com três jogadores líbios, um deles o extremo esquerdo Hamdou Elhouni, transferido para o clube encarnado em 2016, com passagem posterior pelo Desportivo das Aves. Os outros são o médio defensivo Mohamed Al-Gadi e o médio ofensivo Muaid Salem Ali, mais conhecido como Muaid Ellafi, todos com passagem pelo Santa Clara.

O valor da transferência de Hamdou Elhouni para o Benfica nunca foi anunciado publicamente. De acordo com o jornal desportivo 'A Bola', o Santa Clara defende que o negócio rendeu aos cofres açorianos cerca de 100 mil euros, nunca operação que rondou os 500 mil euros.

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A investigação analisa a diferença de 400 mil euros desta operação. As autoridades desconfiam que estas operações podem funcionar como um financiamento disfarçado do Benfica ao Santa Clara e também ao Desportivo das Aves, clube que Elhouni representou até janeiro de 2019. De frisar que o empresário de Elhouni é Tiago Ribeiro, irmão de Nuno Gomes e CEO da NPlayers.

Elhouni e o médio defensivo Mohamed Al-Gadi chegaram ao Santa Clara no final de 2015 à experiência e acabaram por ficar no clube. Já o médio ofensivo Muaid Salem Ali surgiu já em janeiro do ano seguinte.

Mala Ciao

As buscas desta segunda-feira estão ligadas ao processo Mala Ciao, desencadeado em 25 de junho de 2018, que visa o Benfica.  Em causa está a alegada compra de passes de jogadores como forma de contrapartida para facilitarem frente ao Benfica e pagamento de incentivos a equipas adversárias para vencer o FC Porto. A investigação deste caso atinge ainda Desportivo das Aves, Vitória de Setúbal, Paços de Ferreira e Marítimo.

A imprensa nacional avançava que no contexto destas investigações as autoridades recolheram indícios que apontavam para situações suspeitas, designadamente relacionadas com financiamentos encapotados através do empréstimo de jogadores, mas com opção de recompra por parte do Benfica ao Desportivo das Aves e a outros clubes.

Para além das suspeitas existentes sobre o empréstimo de jogadores, a investigação estaria a analisar a compra de passes de jogadores pelo Desportivo das Aves, mas que seriam pagos com dinheiro do Benfica, contribuindo desta forma para a criação de um ascendente do clube da Luz sobre o emblema nortenho.

Esta segunda-feira também o Santa Clara entrou em cena. Os açorianos receiam agora que os investidores da SAD do Santa Clara estejam a usar o clube para lavagem de dinheiro, uma suspeita intensificada pelo facto de não terem sido apresentadas as contas do clube aos sócios.

No entanto, as suspeitas não ficam por aqui. A venda de Kaio Pantaleão ao Krasnodar em maio do ano passado também gera suspeitas nos Açores. A transferência foi feita por cerca de 3 milhões de euros, mas esses valores não surgem nas contas do clube. Além disso, a mudança de Zaidu este mercado de transferências para o FC Porto também está sob escrutínio, visto que os valores não foram revelados por nenhum dos clubes.

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