O grande volume de golos marcados pelo Benfica nos 36 jogos oficiais que já disputou têm quase sempre a marca de "Tacuara" e "El Conejo", alcunhas dos dois futebolistas, e quando não é um a marcar é o outro. Às vezes marcam mesmo os dois.

Cardozo já leva 25 golos em todas as competições pelo Benfica. Saviola tem 18. E no total os avançados são responsáveis por 48,3 por cento dos 89 golos que os "encarnados" somam no campeonato, na Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa.

Os dois jogadores espelham o lado mais democrático do futebol: a técnica do argentino contrasta com a potência de remate do paraguaio e a velocidade de Saviola alimenta a ocupação de espaços que Cardozo faz na área.

O argentino é um jogador "pequeno" (1,68 metros) e leve (60 kg), capaz de explodir num espaço curto, em áreas exíguas de terreno, de conduzir jogo e procurar, a partir daí, arrancar para o drible, no um contra um, tentar a tabela ou a triangulação.

Cardozo é menos móvel do alto dos seus 1,93 metros e assume-se quase sempre como uma referência na área, mostrando ser dono de um pé esquerdo temível e de um útil jogo de cabeça.

O futebolista paraguaio tem a missão de finalizar, mas o seu papel não se resume a isso e tem vindo a alargar o seu raio de acção no campo: quando surge de costas para defesa, a servir os mais criativos (Di Maria, Coentrão, Aimar e até Saviola), para que estes depois possam "alimentá-lo".

Os dois jogadores, com características muito diferentes, acabam por se completar e beneficiar a equipa, a mais goleadora do clube nos últimos anos, mostrando que são, de facto, uma "sociedade de sucesso".

Mas não são apenas os golos que abrilhantam esta sociedade. A produção, a construção e o último passe fazem também parte dos atributos de “El Conejo” e “Tacuara”, que, fugindo ao estereótipo egoísta dos avançados, têm momentos de "altruísmo".

Cardozo já esteve em quatro passes decisivos para golos de Saviola, para um total de sete assistências, e o argentino já serviu o paraguaio em medida quase igual, quatro assistências e uma grande penalidade sobre si cometida, que “Tacuara” transformou.

Em diferentes momentos do futebol português, outras duplas completaram-se, numa verdadeira simbiose, formando sociedades próprias, fulcrais na conquista de títulos, como foram os casos de Benny McCarthy e Derlei (no FC Porto) ou de João Pinto e Jardel (no Sporting).

No ano do segundo título europeu do FC Porto (2003/04), sob o comando de José Mourinho, o brasileiro Derlei e o sul-africano McCarthy deram nas vistas: somaram 32 golos no campeonato (40 no total das competições) e o sul-africano sagrou-se o melhor marcador da Liga.

Jardel, que fizera durante anos as delícias dos adeptos portistas, e João Vieira Pinto, outrora o "Menino de Ouro" do Benfica, formaram dois anos antes uma dupla imparável, que levou o próprio brasileiro a dizer que era um duo "pai e filho".

Ao serviço do Sporting, onde João Pinto foi a sua "sombra", o seu grande apoio, "Super Mário" - baptizado assim desde os tempos do FC Porto - atingiu os 42 golos no campeonato, a maior marca de sempre do goleador brasileiro numa edição da Liga portuguesa.

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