Foi no River Plate que recebeu a alcunha de "El Conejo", mas o pequeno jogador foi também chamado "El Pibito" (menininho), por um treinador (Ramón Díaz), ou "Rata" (espertalhão), pela mãe de um amigo de infância (Corrales).

O Coelho foi ideia do guarda-redes internacional argentino Germán Burgos (actualmente uma estrela de rock na Argentina), que no dia em que encontrou Saviola nos treinos do River Plate ficou surpreendido com a rapidez do colega.

“Mono” Burgos conta que a ideia da alcunha surgiu quando Javier Saviola lhe apareceu pela frente e desapareceu do seu raio de visão tão rapidamente como surgira, num movimento que lhe fez parecer um coelho.

"Apareceu-me isolado, mas o passe era comprido, cheguei primeiro e toquei a bola para a esquerda. Olhei para o lado e ele já não estava, mas de repente surgiu por fora e já a tinha. Então olhou para mim e moveu a cabeça de um lado para o outro. Eu disse: 'é um coelho'".

Esta é a história que o antigo guarda-redes conta de Saviola, que esta época reencontrou a sua "importância" no Benfica, depois de um futuro promissor nos primeiros anos do River Plate - onde brilhou ao lado de Pablo Aimar - e de relativo apagamento em Espanha.

Saviola prometeu sempre muito, mas as passagens por vários clubes europeus, nomeadamente nos gigantes FC Barcelona e Real Madrid, deixaram sempre a sensação de que o avançado estava aquém da promessa, o que o levou a outras paragens.

Depois da experiência catalã, AS Mónaco e Sevilha FC - onde conquistou a Taça UEFA - foram portos de abrigo para o jogador, antes de assinar pelo Real Madrid, onde também teve uma passagem curta (duas épocas) até surgir o Benfica.

No meio de tanta qualidade e contratações na equipa "merengue" (Cristiano Ronaldo, Benzema, Káká), Javier Saviola terá percebido, uma vez mais, que não haveria espaço para ele e, por cinco milhões de euros, o destino chamou-se Benfica.

Na Luz, depois de um início de campeonato mais tímido, Saviola foi ganhando influência, até se tornar uma das peças chave da equipa de Jorge Jesus, não só pelo que marca, mas também pelo que faz jogar, pela dinâmica ofensiva que carrega consigo e como isso influencia a equipa.

Dezoito golos e nove assistências (oito directas e uma falta para grande penalidade) são as contas do avançado argentino que faz da velocidade e do repentismo imagens de marca, ao ser capaz de criar num espaço curto, libertar e encontrar soluções.

Apesar de ser dextro, Saviola não pede licença para marcar com o pé esquerdo: das suas quase duas dezenas de golos, marcou mais com o pé esquerdo (oito vezes) do que com o direito (sete), numa contabilidade que ainda inclui três tentos de cabeça.

Saviola já marcou 12 vezes de bola corrida e seis de bola parada e a crítica não lhe poupa elogios.

Na retina ficam alguns golos que fazem dele um "pequeno gigante" no futebol português. O que marcou ao Belenenses no Restelo (4-0), depois de correr e fintar quase desde o meio campo, ou o chapéu na Luz à Académica (4-0).

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