A partir desta sexta-feira, as atletas femininas de atletismo estão sujeitas a um teste apertado à taxa de testosterona no sangue, devendo esta estar abaixo de 5 nmol/L durante um ano.

A organização ativista Human Rights Watch (HRW) escreve que estes testes são realizados com base em "estereótipos de género".

A 23 de março, o presidente da World Athletics, o organismo mundial da modalidade, anunciava que "foram tomadas medidas claras para proteger a categoria feminina na modalidade, restringindo a participação de atletas transgénero e intersexo".

A maioria dos interessados consultados "estimou que os atletas transgénero não devem concorrer na categoria feminina", explicou Sebastian Coe.

A HRW alerta que esta decisão "não é baseada em novos estudos científicos e não têm nenhuma base objetiva".

“Assim como nas versões anteriores, esses novos regulamentos coagirão as mulheres a se submeterem a intervenções médicas desnecessárias para alterarem os níveis hormonais simplesmente porque a testosterona natural é atípica”, disse Minky Worden , diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch.

“Perseguição, estigmatização e estereótipos são intrínsecos a esses regulamentos de testes sexuais”, acrescentou Worden.

Uma pesquisa da HRW revela que estes testes podem resultar em lesões físicas e psicológicas, assim como dificuldades económicas nas atletas do sexo feminino. As mulheres vistas como “masculinas demais” podem tornar-se alvos de suspeitas e comentários, podendo ser forçadas a terminar as carreiras de forma prematura".

A HRW refere ainda que "não há consenso científico de que as mulheres com testosterona naturalmente mais alta tenham vantagem no desempenho".

"Os corpos dos atletas têm uma série de características vantajosas, algumas delas ligadas às características sexuais, mas não podemos generalizar. Apesar de uma ampla gama de níveis de testosterona entre os homens, nunca houve regulamentações para atletas do sexo masculino".

O regulamento atual pede aos atletas transgéneros que queiram competir na categoria feminina que mantenham a taxa de testosterona abaixo de 5 nmol/L durante um ano.

Por outro lado, as atletas intersexo, como é o caso da conhecida sul-africana Caster Semenya, devem, desde abril de 2018, manter aquela taxa igualmente abaixo da referência, mas por seis meses, para competir nas provas dos 400 metros à milha.

O regulamento tinha sido criticado por Semenya, dupla campeã olímpica de 800 metros, que recusa submeter-se a um tratamento hormonal ou cirurgia, que perdeu os recursos apresentados para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).

Em novembro de 2021, o Comité Olímpico Internacional (COI) pediu às federações desportivas que estabelecessem os seus próprios critérios para permitir às pessoas transgénero e intersexo competir em alta competição.

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