O ex-futebolista internacional português Jorge Andrade e os treinadores Paulo Fonseca e Rui Vitória manifestaram-se hoje confiantes na qualificação da seleção nacional para a fase final do Mundial2022.

“Só há um resultado, que é ganhar. Estamos todos contentes pelo último jogo, mas ainda falta este pequeno passo. Estamos todos convictos de que a seleção vai conseguir o apuramento, seja quem quer que jogue”, vincou o ex-defesa Jorge Andrade, à margem da 19.ª gala ‘O Melhor Treinador’, promovida pelo jornal semanário O Gaiense.

Portugal está na final do caminho C dos ‘play-offs’ europeus, após ter batido a Turquia (3-1), com golos de Otávio, Diogo Jota e Matheus Nunes, na quinta-feira, dia em que a Macedónia do Norte venceu em Itália por 1-0, com um golo perto do fim de Aleksandar Trajkovski, afastando os transalpinos da fase final pela segunda edição consecutiva.

“Acho que os atletas perceberam que jogar na seleção é diferente de jogar nos clubes. É preciso um espírito diferente, de entreajuda e sacrifício, sempre colocando o individual para segundo plano. Agora, é esquecer o nome do adversário. É como se Portugal fosse jogar contra França, Alemanha ou Brasil. Para nós, a Macedónia do Norte é a melhor equipa do mundo neste momento, porque é o próximo adversário a defrontar”, analisou.

Jorge Andrade, de 43 anos, somou 55 internacionalizações e três golos pela equipa das ‘quinas’, entre 2001 e 2007, sendo convocado para o Mundial2002 e o Euro2004, mas despediu-se antes da estreia de Pepe, que deverá voltar à competição na terça-feira.

“É o melhor central do mundo. Se já no último jogo conseguimos cumprir e vencer, agora temos mais opções. O Pepe é o líder da defesa e vai ser muito mais fácil a equipa fazer transições e atacar com muita confiança”, concluiu o ex-central, aludindo ao líder do eixo defensivo nacional, que esteve infetado pelo coronavírus ao longo da semana passada.

Já Paulo Fonseca está “francamente otimista” num triunfo da equipa de Fernando Santos na receção aos macedónios, na terça-feira, às 19:45, novamente no Estádio do Dragão, no Porto, palco do embate com a Turquia, com arbitragem do inglês Anthony Taylor.

“Não há jogos fáceis. Foi difícil [o percurso na qualificação], mas o que interessa é que estamos muito próximos e acredito que amanhã [terça-feira] todos os portugueses vão estar a festejar mais uma presença num Mundial”, afiançou o treinador, de 49 anos, atualmente sem clube, após ter dirigido os italianos da Roma nas últimas duas épocas.

Desempregado também está o homólogo Rui Vitória, cuja “esperança e convicção” na oitava participação, e sexta consecutiva, de Portugal no principal torneio mundial de seleções, depois de 1966, 1986, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018, se deve à “grande capacidade” dos jogadores nacionais em “dar respostas em momentos importantes”.

“Por isso, não vejo outra hipótese senão ganhar. É evidente que vai ser um jogo difícil. É uma final e a Macedónia do Norte acredita que pode vencer, mas acho que não vamos deixar que isso aconteça. Estes jogadores vão querer estar no Mundial. Percebo essa determinação pelas palavras do Cristiano Ronaldo, que é reflexo do grupo”, observou.

Caso os macedónios logrem um inédito apuramento, Portugal falhará a primeira grande competição no século XXI, após 11 presenças seguidas desde 2000 em campeonatos do mundo e da Europa - a última ausência foi no Mundial de 1998, disputado em França.

“O futebol muitas vezes hoje é esperar por uma oportunidade para fazer um golo. Foi o que a Macedónia do Norte fez com a Itália. Claro que o jogo teria outro cariz ante a Itália, mas este parece-me que vai ser diferente. Agora isto aumenta a responsabilidade de Portugal, porque perder com a Macedónia do Norte é muito difícil de entender”, concluiu Rui Vitória, de 51 anos, que comandou esta temporada os russos do Spartak Moscovo.

Promovida pelo jornal O Gaiense, a 19.ª gala ‘O Melhor Treinador’ reúne, num hotel de Vila Nova de Gaia, várias figuras do futebol luso, entre treinadores, atletas e dirigentes, homenageando a título póstumo o ex-guarda-redes Neno, falecido em junho de 2021.

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