O trabalho e o talento são fatores determinantes no futebol e são regularmente evocados quando falamos da maior rivalidade do desporto-rei: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

A pergunta 'qual dos dois o melhor?' tem sido perpetuada ao longo de mais de uma década. Muitos têm opinião, mas será mesmo possível responder a esta questão? Jogadores totalmente diferentes, com uma leitura de jogo diferente e com um posicionamento diferente, mas que brilham nos relvados. Trabalho versus talento. Ronaldo vs Messi.

O início de CR7: O menino querido da família

Na temporada de 1993/1994 chegou ao Andorinha um jovem franzino chamado Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Foi ali, neste pequeno clube da Madeira, que se deu início, a uma das mais frutificas carreiras do futebol mundial.

Apesar de alguns lhe reconhecerem talento, a família, pouco ligada ao futebol, não imaginava que ali estava um diamante por lapidar.

"Tenho uma memória muito forte de quando tinha 7 anos. Tão forte que, quando fecho os olhos, imagino-a e emociono-me. Tem a ver com a minha família. O meu pai estava sempre lá para me ver, mas a minha mãe e as minhas irmãs não se interessavam minimamente por futebol. Todas as noites, o meu pai tentava, durante o jantar, convencê-las a irem ver-me e elas diziam ‘está bem’, mas não pareciam convencidas. Ia sempre olhando para a bancada antes do jogo e via sempre o meu pai sozinho, de pé. Até que um dia - nunca mais me vou esquecer desta imagem - enquanto aquecia, vi a minha mãe e a minha irmã lá sentadas. Pareciam... Nem sei como dizer. Cómodas? Nem aplaudiam nem gritavam, só me acenavam, como se fosse um desfile ou assim. Notava-se que nunca tinham ido ao futebol. Mas estavam ali. E só isso me importava. Senti-me tão bem nesse momento. Significou muito para mim. Algo mudou em mim. Senti-me orgulhoso", começou por revelar no texto que escreveu para o Player’s Tribune em 2017.

Oriundo de uma família pobre, Cristiano Ronaldo sentia ali que tinha o apoio da família. "É certo que não tínhamos muito dinheiro nessa altura e a vida não era fácil na Madeira. Jogava com botas velhas do meu irmão ou dos meus primos. Mas quando és criança não queres saber de dinheiro. Só queres sentir-te de determinada maneira. E, naquele dia, senti-me assim. Senti-me protegido e querido. Como dizemos em português, menino querido da família", acrescentou.

Mas o talento de Cristiano Ronaldo já era visível naquele tempo e, alguns anos depois deste episódio, o madeirense acabaria por rumar ao continente para vestir a camisola do Sporting. Tinha apenas 12 anos quando deixou o conforto da família e da ilha da Madeira para correr atrás do sonho. E ainda bem que o fez.

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De leão ao peito, Cristiano Ronaldo começou a encantar e, aos 18 anos, já era grande demais para Alvalade. No jogo de inauguração do estádio dos leões, frente aos ingleses do Manchester United, um treinador chamado Alex Ferguson assistiu a uma bela exibição daquele jovem.

Rendido ao talento do jogador madeirense, o plantel do Manchester United chegou mesmo a pedir a contratação deste ao treinador. E Alex Ferguson conseguiu.

Já em Manchester, Cristiano Ronaldo pediu a camisola 28, com o número que usava no Sporting. Mas, Fergie entregou-lhe a mítica camisola 7, que antes tinha pertencido a lendas do clube inglês como David Beckham, Cantona, George Best e Bryan Robson.

Começava aqui a história de mais uma lenda do Manchester United.

Em 2007/2008, o jovem internacional português venceu aquela que foi a primeira (de muitas) Liga dos Campeões. Na primeira época de CR7 em grande plano, o internacional português venceu ainda a Bota de Ouro para melhor marcador europeu com 31 golos apontados e a primeira Bola de Ouro.

Um ano depois a sua carreira já pediu outros voos e foi assim que CR7 deixou Inglaterra para rumar ao Real Madrid. Aí alimentaria uma rivalidade épica com Lionel Messi.

Em 2018 deixou Madrid, onde ganhou tudo e mais alguma coisa, para vestir a camisola da Juventus.

O início de Messi: Um pequeno grande talento

Com seis anos, Lionel Andrés Messi Cuccittini chegou às camadas jovens do Newell’s Old Boys na Argentina. Mas o pequeno génio não crescia e, de acordo com o biografia 'Messi, o miúdo que não podia crescer' do jornalista Luca Caioli, precisava da administração diária de uma injeção de hormonas de crescimento. O tratamento custaria mil euros por mês, um valor demasiado elevado para os pais.

O Newell"s Old Boys (NOB), clube onde começou a jogar com seis anos, não podia pagar o tratamento. Nem o River Plate que mostrou interesse no jogador. Era preciso uma alternativa fora do país e foi aí que surgiu o Barcelona, o clube que se predispôs a pagar o tratamento hormonal.

Em 2000, com apenas 13 anos, e tal como aconteceu com Cristiano Ronaldo, Messi deixou a família e o país-natal para rumar aos espanhóis do Barcelona. "Foi muito difícil, foi uma mudança muito grande. Quando cheguei ao Barcelona não pensava em ser o melhor do mundo. Cheguei com o sonho de poder ir para a equipa principal, mas nunca imaginei o que viveria depois", admitiu Messi ao Barça Magazine no ano passado.

O investimento do Barcelona acabou por compensar e, com 16 anos, o jovem argentino estreou-se pela equipa principal dos blaugrana… no Porto.

Na inauguração do Estádio do Dragão a 16 de novembro de 2003,  o jovem foi lançado Frank Rijkaard. A derrota catalã (2-0) passou para segundo plano porque nascia ali uma lenda do futebol mundial. Messi entrou à passagem do minuto 74, por troca com Fernando Navarro. Com o número 14 nas costas.

O internacional argentino era já na altura uma das maiores promessas das escolas do Barcelona e a estreia oficial de Lionel Messi ocorreria um ano depois, a 16 de novembro de 2004, no dérbi catalão frente ao Espanyol, em pleno Estádio Olímpico Luís Companys. O Barcelona acabaria por vencer por 1-0 e Lionel Messi entrou para o lugar de Deco, internacional luso-brasileiro que curiosamente também tinha jogado no encontro particular na estreia do Estádio do Dragão.

Crescia assim uma longa ligação entre Messi e Barcelona que, até aos dias de hoje, ainda não teve final – apesar de ter estado perto disso no verão passado.

Os confrontos

A rivalidade entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi é mítica e provavelmente será eterna. Há muitos anos que os dois brilham nos relvados europeus e dividem os prémios individuais do futebol mundial.

O Messi baixa no terreno, faz assistências, marca e finta. É um jogador com outra criatividade - João Almeida Rosa

Para responder à eterna questão, o SAPO Desporto falou com João Almeida Rosa, treinador, comentador e analista de futebol, que admite que é difícil escolher um dos dois e lembra que "são dois jogadores, em termos futebolísticos, totalmente diferentes."

"Começaram os dois por ser extremos por isso têm esse ponto em comum, mas depois as evoluções foram opostas. O Cristiano passou a ser cada vez mais um avançado, que é a posição que ocupa no momento, e é um jogador que tem capacidades excelentes na finalização porque tanto marca de pé esquerdo como de pé direito ou de cabeça, como dentro da área ou fora", recordou o comentador do SAPO Desporto.

Por outro lado, Messi "passou a ser cada vez mais um médio ofensivo, que gosta de baixar no terreno, que gosta de jogar entrelinhas e que acaba por dar mais ao jogo na medida em que não faz apenas golos - não que o Cristiano Ronaldo faça apenas golos mas, na minha opinião, é um jogador menos completo nesse sentido. O Messi baixa no terreno, faz assistências, marca e finta. É um jogador com outra criatividade."

Apesar de toda a rivalidade, já poucos se lembram do início. O primeiro embate entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi aconteceu a 23 de março de 2008, quando o Manchester United visitou o reduto do Barcelona para as meias-finais da Liga dos Campeões. Neste confronto número 1, os dois saíram a zeros, assim como as respetivas equipas. Já na segunda mão, os ingleses acabariam por levar a melhor e seguiram para a final da Champions, onde bateram o Chelsea.

Estes foram os dois primeiros jogos entre Ronaldo e Messi de uma história que conta já com 36 confrontos: seis na Liga dos Campeões, 12 na La Liga, cinco na Taça do Rei, cinco na Supertaça de Espanha e dois em amigáveis pelas respetivas seleções.

O saldo destes encontros dá vantagem ao argentino que soma 16 vitórias (44%), nove empates (25%) e 11 derrotas (31%).

Apesar disso, um dos mais marcantes encontros entre o português e o argentino aconteceu há pouco mais de um mês e terminou com a vitória de… Cristiano Ronaldo.

A 8 de dezembro de 2020, a Juventus de Ronaldo venceu o Barcelona de Messi por 3-0, com dois golos do internacional português em partida da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Revista do ano 2020: Dezembro
Cristiano Ronaldo e Lionel Messi no Barcelona - Juventus. créditos: AFP or licensors

Dois anos e meio depois - com a saída de Ronaldo para a Juventus, - os dois melhores do mundo voltaram a medir forças. Há 15 anos que dominam o futebol mundial e ainda não largaram o trono. No entanto, alguns vaticinam que poderá ter sido uma das últimas danças, nesta reedição da final de 2015 entre catalães e italianos.

Ronaldo acabou por ser o homem golo, com dois golos apontados na sequência de duas grandes penalidades. Messi esteve muito em jogo, ensaiou muitas tentativas à baliza, mas não teve a sorte de encontrar o caminho das redes.

O melhor marcador

João Almeida Rosa esclarece que, efetivamente, a grande semelhança entre os dois jogadores "é a aptidão para o golo que os dois têm, mas mesmo a forma de chegar ao golo é quase sempre diferente. O Messi marca quase sempre de pé esquerdo, enquanto o Cristiano é mais plural na forma como marca."

A verdade é que, no passado domingo, 10 de janeiro de 2021, Ronaldo marcou o 759.º golo da sua carreira em jogos oficiais e está muito perto de entrar (ainda mais) para a história do futebol.

Com o golo frente ao Sassuolo, CR7 igualou o recorde de golos em jogos oficiais detido por Josef Bican. O avançado checo terá marcado mais de 805 golos ao longo da sua carreira, mas tendo apenas em conta os golos marcados em jogos oficiais - recolhidos pela Rec. Sport.Soccer Statistics Foundation (RSSSF) - e usando o mesmo critério para o capitão da Seleção Nacional, Cristiano Ronaldo está a um golo de se tornar no maior goleador de sempre.

Mas estes recordes têm dado muito que falar, face à incerteza de alguns dos valores e nem a FIFA nem a UEFA conseguem dizer, por exemplo, quantos golos exatamente marcaram Bican e Pelé, jogador que também já foi ultrapassado por CR7.

Apesar disso, Cristiano Ronaldo já é o melhor marcador da história da Liga dos Campeões (135 golos), do Real Madrid (450) e da Seleção de Portugal (102).

Por seu lado, Lionel Messi é o sexto no ranking de melhores marcadores da história do futebol com 719 tentos. Para chegar aos números de Cristiano Ronaldo, o argentino precisa ainda de ultrapassar Gerd Müller (727 golos), Romário (747) e Pelé (757).

No entanto, o número de golos pode não ser o suficiente para sustentar qual dos dois é o melhor jogador do futebol atual, como defende João Almeida Rosa. "Às vezes, por o Cristiano marcar golos com os dois pés e de cabeça, diz-se que ele é um jogador mais completo, mas na minha opinião, só é um finalizador mais completo. De forma geral, considero o Messi mais completo porque não se limita à finalização nem ao último terço. É capaz de baixar mais no terreno e, estou convencido, que se fosse preciso o Messi podia jogar em mais posições", refere.

O Cristiano sempre foi uma pessoa que procurou muitos desafios

Os títulos

Falar em Cristiano Ronaldo e em Lionel Messi, além de ser falar em talento, é também falar em títulos e prémios arrecadados ao longo dos anos em que dividem o estrelato do futebol mundial.

Por ter passado por vários campeonatos europeus, Cristiano Ronaldo tem uma maior diversidade de títulos quando comparado com Messi, que apenas representou o Barcelona. Apesar dessa diferença entre a carreira dos dois, João Almeida Rosa considera que esse não é um fator determinante na criação de um bom jogador.

"O Cristiano sempre foi uma pessoa que procurou muitos desafios. Começou em Portugal no Sporting, foi cedo para o Manchester United onde vingou, mudou-se para Madrid e aconteceu a mesma coisa e, agora, na Juventus. Vamos ver se experimenta mais algum campeonato até ao final da carreira ou não, mas é justo dizer que é alguém que sempre quis sair da zona de conforto", começou por apontar, antes de garantir que esse "não é um sinal de superioridade em relação ao Messi porque cada um tem o seu trajeto e não é por experimentar mais clubes que se é melhor ou pior."

"O Cristiano teve sempre a ambição de deixar marca em vários países e foi isso mesmo que fez. O Messi só jogou em Espanha, mas para mim isso não significa que um seja melhor que o outro. A verdade é que o Messi não tinha razões para sair do Barcelona, porque até aos últimos dois ou três anos foi sempre uma das melhores equipas da Europa, o que lhe permitiu ganhar muitas Ligas dos Campeões. Além disso foi o clube que o foi buscar à Argentina quando nenhum clube argentino lhe deu a mão devido ao problema de crescimento dele, por isso há também uma dívida de gratidão", salientou o analista.

Assim sendo, o palmarés do internacional português conta com duas La Liga (2011/12 e 2016/17), duas Taças do Rei (2010/11 e 2013/14), duas Supertaças de Espanha (2012 e 2017); três Premier League (2006/07, 2007/08 e 2008/09), uma Taça de Inglaterra (2003/2004), duas Taças da Liga Inglesa (2005/06 e 2008/09); duas Serie A (2018/19 e 2019/20), uma Supertaça de Itália (2018) e uma Supertaça Cândido de Oliveira (2002).

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Em competições internacionais, Cristiano Ronaldo soma quatro Mundiais de Clubes (2009, 2014, 2016 e 2017) e cinco Ligas dos Campeões (2007/08, 2013/14, 2015/16, 2016/17 e 2017/18).

Já ao serviço da seleção portuguesa de futebol, Cristiano Ronaldo conquistou o Europeu, em 2016, e a Liga das Nações, em 2018. Ele que tem no total 31 títulos.

Enquanto o eterno rival Messi tem dez La Liga (2004/05, 2005/06, 2008/09, 2009/10, 2010/11, 2012/13, 2014/15, 2015/16, 2017/18 e 2018/19), seis Taças do Rei (2008/09, 2011/12, 2014/15, 2015/16, 2016/17 e 2017/18) e sete Supertaças de Espanha (2006, 2009, 2010, 2013, 2016 e 2018).

A nível internacional, Lionel Messi venceu três Mundiais de clubes (2009, 2011, 2015), quatro Ligas dos Campeões (2005/06, 2008/09, 2010/11 e 2014/15) e duas Supertaças Europeias (2009, 2011 e 2015).

Pela seleção argentina, o jogador do Barcelona venceu os Jogos Olímpicos em 2008 e o Mundial de Sub-20 em 2005. Ao todo, Messi tem 35 títulos.

Ronaldo vs Messi: Palmarés
Ronaldo vs Messi: Palmarés créditos: SAPO Desporto

Apesar de existir quem defenda que a carreira de Lionel Messi teria sido diferente caso o jogador tivesse experimentado jogar noutros campeonatos, João Almeida Rosa considera que esta teria sido igualmente bem sucedida.

"Nem o Cristiano nem o Messi jogam sozinhos embora sejam muito melhores do que os outros, mas claro que se Messi tivesse ido para uma equipa fraca tinha tido muito mais dificuldade, mas eu acho que o Messi teria tido sucesso fosse onde fosse porque tem um nível muito acima dos restantes, tal como o Cristiano", começou por frisar, antes de recordar alguns exemplos que sustentam a sua teoria.

Se formos a analisar, as equipas inglesas na Liga dos Campeões foram as que sofreram mais golos do Messi

"Não sou da opinião de que o Cristiano é melhor porque teve sucesso em vários países e o Messi não. O Pelé praticamente só jogou no Santos e não é por isso que deixa de ser um dos melhores jogadores de todos os tempos. Já o Maradona teve em vários países e clubes, mas foi no Nápoles que teve um grande impacto e a história dele no Barcelona nem é particularmente feliz. Por isso, acho que não é por esse critério que o Messi é melhor ou deixa de ser", remata.

Mesmo assim, João Almeida Rosa aponta que Messi teria tido sucesso numa liga em particular. "A Premier League, que é o campeonato mais competitivo do mundo, é jogada com muito espaço. As equipas dão muito espaço e, se formos a analisar, as equipas inglesas na Liga dos Campeões foram as que sofreram mais golos do Messi. Isto pode ser um indício de que se ele fosse para a Premier League conseguiria manter o nível que tem no Barcelona", explica.

Os prémios individuais

Ao longo de 15 anos, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi disputaram os prémios individuais europeus, e nenhum outro futebolista conseguiu demonstrar tanta consistência como os dois. Nos últimos anos, Luka Modric e Robert Lewandowski ameaçaram o trono - um prémio de melhor do mundo para cada um - mas os dois astros continuam a ter um incrível reportório de prémios.

Cristiano Ronaldo tem cinco Bolas de Ouro (2008, 2013, 2014, 2016 e 2017), foi duas vezes eleito melhor jogador nos prémios The Best da FIFA (2016/2017), além de ter sido três vezes o futebolista do ano na Europa (2014, 2016 e 2017) e de contar com 17 prémios de melhor marcador: um na Taça de Inglaterra, um na Premier League, três na La Liga, um na Taça do Rei, sete na Liga dos Campeões, dois no Mundial de Clubes, um no Europeu e outro na Liga das Nações.

Enquanto Lionel Messi tem seis Bolas de Ouro (2009, 2010, 2011, 2012, 2015 e 2019), foi eleito uma vez como o melhor jogador nos The Best da FIFA (2019) e três vezes o melhor jogador da Europa (2009, 2011 e 2015).

Além disso, o craque argentino venceu 19 prémios de melhor marcador: seis na La Liga, seis na Liga dos Campeões, cinco na Taça do Rei, um no Mundial de Clubes e outro no Mundial de Sub-20.

A lista de prémios é longa, mas não é possível determinar com exatidão qual dos dois é o melhor. O brilho que deixam no relvado é enorme e, quando chegar o dia da retirada, vão deixar saudades nos corações daqueles que vibram e respiram futebol.

CR7 bisa e vence duelo frente a Messi e a Juventus envergonha o Barça em Camp Nou
CR7 bisa e vence duelo frente a Messi e a Juventus envergonha o Barça em Camp Nou créditos: DR

Mas a verdade é que todos aqueles que apreciam o desporto-rei têm uma preferência entre os dois e João Almeida Rosa não é exceção. "Olhando para os dias de hoje é um pouco injusto fazer uma análise, mas tendo visto praticamente a carreira dos dois completa, acho que o Messi esteve um patamar acima", revela.

Para o comentador, Messi "é um jogador mais completo pela forma como encara os vários momentos do jogo e pelo facto de não se limitar a jogar no último terço. Tem uma magia que o difere não só do Cristiano, mas de todos os outros."

"Estiveram ao melhor nível durante dez anos e isso é raro. Se olharmos para os outros grandes jogadores da nossa geração vemos que o Ronaldinho fez duas ou três grandes temporadas e apesar de ter sido sempre um jogador mágico nas restantes épocas foi sempre muito mais irregular. Assim como o Kaká que teve um ou duas temporadas espetaculares, até Zidane, Beckham e Figo foram sempre mais irregulares que Ronaldo e Messi. Foram mais regulares e fizeram muito mais golos que todos os outros, mesmo não sendo pontas-de-lança puros", explica ainda.

Mesmo assim, João Almeida Rosa admite que o sucesso de um seria diferente caso não existisse o outro.

"Na minha opinião, um dos maiores feitos da carreira do Cristiano é ter alimentado esta dúvida e ter sido capaz de competir e rivalizar com um jogador inacreditável como o Messi. O facto de esta pergunta ser colocada é a prova de que Cristiano é obviamente um dos melhores jogadores do mundo, mas também um dos melhores de sempre. Tanto um como o outro entram para esse lote. Daqui para a frente, quando falarmos dos melhores jogadores da história, Ronaldo e Messi vão ter de estar sempre na conversa", confessa.

A opinião dos que dividiram os palcos com a dupla

A escolha entre Ronaldo e Messi não se fica apenas pelos adeptos, mas estende-se a todos os intervenientes do clubes, nomeadamente jogadores e treinadores. Muitos são os que dividiram balneário com um ou outro e até com os dois. Recordamos algumas das opiniões dos últimos anos.

Ozil: "Messi provou ser um dos melhores de todos os tempos em Espanha, mas Ronaldo foi sempre o melhor em todos os países em que jogou".

Miralem Pjanic: "Como pessoa e como jogador, Ronaldo é espetacular. É um autêntico atleta, que cuida de todos os detalhes. Messi é um fenómeno absoluto, capaz de fazer qualquer coisa com a bola".

Luis Milla: "Messi é um jogador maduro, que sabe que o Barcelona é um clube que encaixa no seu estilo de jogo e que partilha a mentalidade vencedora. Cristiano Ronaldo deixou La Liga e a vida continuou, se Messi sair no futuro também vai continuar, mas um jogador como ele é insubstituível, de uma casta única, que vemos uma vez na vida. A Liga espanhola sobreviveria sem Messi, mas não seria a mesma coisa. Ainda bem que ficou".

Àrsene Wenger: "Os registos dele [Cristiano Ronaldo] são inegáveis. Não é um grande criador. Costumo dizer que Ronaldo é o atleta-jogador e Messi é o artista de exceção. Essa é a diferença entre os dois. Depois, toda a gente prefere um ou o outro, mas, quando se adora o jogo, prefere-se o artista. O criativo faz-te descobrir coisas que não viste, que nem te apercebeste a partir das bancadas. É mais fino, mesmo que não negue a qualidade do português".

Trincão: "É impossível escolher. Tenho um orgulho enorme de poder jogar com os dois, são dois grandes jogadores, duas excelentes pessoas e estou feliz por isso".

Jurgen Klopp: "Para mim o melhor é Messi, mas não posso admirar mais Cristiano Ronaldo do que já faço. A explicação é a seguinte. Já jogámos contra ambos e são quase impossíveis de defender. Se tivesse de definir um jogador perfeito, teria a altura, o salto e a velocidade de Ronaldo. A isso juntas a sua atitude, o seu profissionalismo e é perfeito. Não podia ser melhor. Messi tem condições físicas mais baixas desde o seu nascimento. Faz com que tudo pareça simples. Por isso gosto mais dele, mas Cristiano Ronaldo é um jogador absolutamente perfeito".

Unai Emery: "O Cristiano é um profissional exemplar tal como Messi e outros jogadores. O [Cristiano] Ronaldo é o [Rafael] Nadal do futebol e o [Leo] Messi seria o [Roger] Federer".

Wayne Rooney: "Apesar da minha relação de amizade com Ronaldo, escolheria Messi. É diferente, simplesmente faz circular a bola e tudo parece fácil com ele. Ronaldo é implacável na zona de ataque, um assassino, mas Messi tortura antes de te matar. Com Messi há a sensação de que se diverte mais".

Kaká: "Messi é um génio. É talento puro. A forma como joga é incrível. Joguei com Cristiano no Real Madrid e ele é uma máquina. É incrivelmente forte, poderoso e rápido. E quer sempre ganhar e ser o melhor. Para mim, é o que tem de mais incrível. Temos muita sorte em vê-los aos dois".

Pelé: "Essa pergunta... hoje é difícil. Há algum tempo era fácil de apontar o melhor do mundo. Hoje acho é o Ronaldo. Está mais estável. Há dez anos que está bem, mas não nos podemos esquecer do Messi. Há alguns bons jogadores na Europa".

Haverá rivalidade semelhante no horizonte?

Para desgosto dos grandes amantes do futebol, o tempo não pára, e o dia do adeus está cada vez mais próximo. Tanto Cristiano Ronaldo e Lionel Messi caminham para o final das suas carreiras e, apesar de esperarmos que tal só aconteça daqui a uns anos, é inevitável pensar nessa altura e nos possíveis herdeiros desta histórica rivalidade.

Mais uma vez, João Almeida Rosa dá a sua opinião e, desta vez, não é aquela que os adeptos gostariam de ouvir.

Fazemos os dois parte da história do futebol - Cristiano Ronaldo

"Olhando para os jogadores que já estamos a ver jogar, acho que ninguém se vai aproximar do nível do Cristiano e do Messi. O Neymar tinha talento para isso, mas já se percebeu que não tem a veia competitiva que os outros dois têm", começa por dizer, antes de se justificar.

"É mais fácil identificar a veia competitiva no Ronaldo, pela questão de todos os colegas dizerem que ele é o primeiro a chegar e o último a sair do treino e pela forma como se trata. Percebe-se que o Cristiano é um animal competitivo, mas o Messi também tem de ser, apesar de ter uma personalidade totalmente diferente. É impossível construir uma carreira como a do Messi sem se ser altamente competitivo. Tem de trabalhar bem e treinar bem senão seria um jogador mais próximo do Neymar, ou seja, com momentos extraordinários e com um talento visível, mas sem a tal continuidade nem regularidade. Além disso, ele já não tem propriamente 21 anos, por isso já não vai ter a carreira que o Cristiano e o Messi tiveram", lamenta o comentador, para depois admitir: "olhando para os outros nomes de hoje em dia, não me ocorre a possibilidade de uma rivalidade semelhante."

Apesar disso, João Almeida Rosa garante que "há jogadores de muito bom nível, mas daquele bom nível que já havia antes do Cristiano e do Messi, ou seja, o patamar é diferente. Há Mbappé e Haaland, que são jogadores jovens já com créditos firmados, mas acho que, neste geração, ninguém se vai aproximar deles."

"Estou certo que, mais tarde ou mais cedo, vão aparecer outros prodígios porque o futebol não pára e trabalha-se cada vez melhor na formação. Se calhar daqui a 20 ou 30 anos vão aparecer outros jogadores como Messi e Ronaldo, mas neste momento acho que ainda não conhecemos esses jogadores. Vamos ter de esperar como as pessoas que viram o Pelé e o Maradona tiveram de esperar pelo Messi e pelo Cristiano. Não apareceu logo outro Maradona, ou melhor, o outro Maradona é o Messi e o outro Pelé ou Eusébio é o Ronaldo. Mas fomos muito felizes por eles terem aparecido em simultâneo e acho que ambos já admitiram isso", remata o comentador.

A verdade é que os dois já se elogiaram um ao outro e mostraram grande respeito pela rivalidade que mantém ao longo de mais de uma década ao mais alto nível.

No final do ano passado, em entrevista ao canal televisivo espanhol 'La Sexta', Lionel Messi falou sobre a eterna rivalidade com Cristiano Ronaldo e deixou elogios ao português quando lhe foi perguntado sobre os desportistas que mais admira.

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créditos: SAPO Desporto

"Há muitos desportistas que admiro: o Rafa Nadal, o Federer, LeBron... Em todas as modalidades há sempre desportistas que se destacam e que são admiráveis pelo seu trabalho, por aquilo que fazem no dia a dia. No futebol o Cristiano... Há muitos jogadores que poderia citar, mas claro que admiro todos os desportistas que se destacam e que deixam o máximo sempre", elogiou o argentino.

Já Cristiano Ronaldo já referiu que "Messi é um jogador excelente que será recordado não só pelas Bolas de Ouro, mas sim por ter estado sempre no topo, anos após ano", além de ter ainda admitido: "Tenho saudades de jogar em Espanha, tivemos esta rivalidade nos últimos 15 anos que foi boa. Fazemos os dois parte da história do futebol".

Infelizmente, a era Ronaldo-Messi já esteve mais longe de acabar. Mas, a pergunta eterna e a mais feita, que ilustra uma rivalidade que tornou o futebol mais rico, vai ficar para sempre sem resposta.

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